Título: Governistas devem impor ritmo lento na Câmara
Autor: Fernandes, Adriana; Veríssimo, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/11/2007, Nacional, p. A4
Com a prioridade do governo de aprovar a CPMF, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem imprimir um ritmo mais lento nas votações da Câmara para evitar que as medidas provisórias que estão na fila de votação sigam para o Senado, onde obstruiriam a pauta. A intenção dos governistas é deixar caminho livre para os senadores votarem a CPMF assim que houver segurança para sua aprovação. O temor do governo é que a oposição no Senado use as medidas provisórias para paralisar os trabalhos, adiando a votação da proposta que prorroga o imposto do cheque.
Na Câmara, há cinco MPs e dois projetos em regime de urgência que têm preferência de votação. Eles passam a trancar a pauta do Senado assim que forem aprovados pelos deputados. Enquanto a estratégia é brecar as votações na Câmara, no Senado a intenção é votar logo as duas MPs que estão no plenário. Com posições declaradas do DEM e do PSDB contra a CPMF, o governo vai tentar pelo menos um acordo na tentativa de evitar a obstrução.
No primeiro dia de trabalho na Câmara como líder do governo, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), conversou ontem com o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), procurando levar as preocupações do governo e conciliar os interesses. Chinaglia está preocupado em limpar a pauta para cumprir uma agenda de votações na Câmara antes do recesso parlamentar que começa no dia 23 de dezembro.
¿Não sabemos se a oposição no Senado vai usar de todos os mecanismos regimentais para obstruir¿, afirmou Fontana. Na Câmara, o governo precisou revogar três medidas provisórias para conseguir votar a proposta que prorroga a CPMF por causa da tática da oposição. A obstrução fazia com que cada medida provisória levasse nove horas para ser votada pelo plenário. A revogação de MPs no Senado ainda não foi cogitada pelo governo, segundo Fontana.