Título: Vale não fará oferta pela Rio Tinto, diz executivo
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/11/2007, Negocios, p. B20

A Companhia Vale do Rio Doce não descarta avaliar a aquisição de eventuais partes da Rio Tinto ou da BHP. Isso ocorreria caso uma das duas seja obrigada a se desfazer de algum setor para que a fusão entre as duas possa ocorrer. Mas ontem, em Paris, o presidente da Vale, Roger Agnelli, afirmou que não tem planos de fazer oferta pela Rio Tinto, depois que o grupo rejeitou a proposta de aquisição feita pela BHP, e nem de interferir no processo. ¿O movimento da BHP se justifica para eles que querem crescer. A Rio Tinto deve proceder como achar mais adequado.'

No início do mês, a BHP anunciou seu objetivo de adquirir a Rio Tinto. ¿Para a indústria, isso não é ruim, pois precisamos aumentar a produção. Para nós, é neutro. Não é nem bom nem ruim. Não vamos mudar nada nossos planos nem nossa visão do futuro¿, disse Agnelli. ¿Somos disciplinados na alocação de capital. A cautela precisa ser redobrada hoje diante da alta dos preços. A base que temos nos permite crescer e não temos a necessidade de aquisições para isso.¿

O executivo disse também que há uma coincidência grande entre as atividades da Rio Tinto e da Vale. ¿Não precisamos de novas reservas¿, disse. Além disso, ele alerta que medidas antitruste não permitiriam uma aproximação entre as duas empresas. ¿Não vamos interferir. Não há nenhuma intenção por nossa parte. Essa é uma festa australiana para a qual não fomos convidados¿, brincou.

Mas a Vale admite que, se algum segmento da Rio Tinto ou da BHP forem vendidos para permitir a fusão das duas, a empresa será obrigada a olhar. ¿Se formos convidados, vamos analisar com cautela¿, disse.

Questionado pela imprensa estrangeira sobre uma eventual oferta hostil pelo controle da Vale, Agnelli garantiu que esse risco ¿não existe¿. ¿A Vale tem um grupo de controladores que não tem intenção de se desfazer dos ativos. O nível de rentabilidade da empresa desencoraja¿, disse.

Essa visão de futuro ainda seria traduzida, segundo o Estado apurou, em uma nova marca da empresa que será lançada esta semana em Brasília. A empresa reiterou que planeja investir US$ 59 bilhões em investimentos até 2012 e Agnelli lembrou que a Vale é hoje a 33ª maior companhia do mundo.

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