Título: PT livra amigo do presidente da CPI das ONGs
Autor: Costa, Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/11/2007, Nacional, p. A7

Sibá aproveita baixo quórum e veta pedidos que atingem pessoas e órgãos ligados ao governo

Uma manobra do senador petista Sibá Machado (AC) paralisou ontem o já lento trabalho da CPI das ONGs. Aproveitando-se do baixo quórum, ele articulou para vetar requerimentos de convocação e pedidos de informações sobre pessoas e entidades ligadas ao governo.

A operação livrou da convocação, entre outros, Jorge Lorenzetti, ex-churrasqueiro do presidente Lula, um dos envolvidos no escândalo do dossiê Vedoin e um dos dirigentes da ONG Unitrabalho, que até setembro de 2006 recebeu R$ 19 milhões de órgãos públicos.

O senador também se opôs a pedido para que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) transferisse à CPI informações sobre movimentações de recursos de Lorenzetti ¿consideradas atípicas¿.

Suplente da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, Sibá boicotou, ainda, requerimentos à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) sobre ONGs que assistem as populações indígenas. E não permitiu a convocação do responsável pela ONG Urihi, criada para prestar atendimento de saúde aos ianomâmis. Segundo o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a Urihi foi inaugurada ¿com o único propósito de receber verbas¿.

DESISTÊNCIA

O embate entre Sibá, orientado por um grupo de assessores do PT, e senadores da oposição chegou ao ponto de ameaçar o futuro da CPI. Álvaro Dias (PSDB-PR) e Heráclito Fortes (DEM-PI) alegaram que é melhor desistir da investigação a patrocinar uma encenação.

¿Se não for para agirmos corretamente, que assinemos o atestado de incompetência¿, reagiu o senador tucano. Dias lembrou que, entre as propostas de Sibá, está uma que pede investigação sobre a Comunidade Solidária, presidida por Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ¿Se quer investigar Ruth, pode seguir adiante, porque ela não tem nada a esconder.¿

Heráclito lembrou que, enquanto tratava da criação da CPI, foi procurado por senadores preocupados com a possibilidade de a apuração atingir a filha de Lula, Lurian Carneiro, que atuou na ONG Rede 13. ¿Eu disse que não trabalharíamos com endereço certo e, para mim, aquela moça foi vítima de uma quadrilha, gangue¿, disse ele, referindo-se ao fato de a Rede 13 ter sido extinta rapidamente, sem mostrar a que veio.

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