Título: Sob críticas, Petrobrás redefine o mapa da petroquímica nacional
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/11/2007, Negocios, p. B21
Estatal anunciará amanhã a conclusão da compra da Suzano e, na segunda, a criação de uma gigantesca petroquímica
A Petrobrás deve anunciar amanhã o fechamento da compra da Suzano Petroquímica, negócio que havia sido comunicado ao mercado no dia 3 de agosto e dependia de acertos finais para ser concluído. Na segunda-feira, a Petrobrás deve fazer outro anúncio importante, a conclusão das negociações com a Unipar para a criação da Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS) - que será a segunda maior fabricante de matérias-primas para plásticos e resinas do Brasil, com faturamento previsto de R$ 8 bilhões por ano.
O valor a ser pago pela Suzano deverá ficar cerca de 1% abaixo do preço anunciado em agosto, de R$ 2,7 bilhões, e que provocou muitas críticas por ter sido considerado alto demais pelos opositores da Petrobrás. Com a conclusão da compra da Suzano Petroquímica, a Petrobrás pode dar o passo seguinte em sua estratégia ousada - e polêmica - de reestruturação do setor petroquímico.
A estatal deverá anunciar na segunda-feira a união de ativos da Suzano Petroquímica e da Unipar na criação da Companhia Petroquímica do Sudeste. Ao unir todas as operações em uma só empresa, a Petrobrás quer criar um grupo forte, com poder de competir com os gigantes internacionais, além de ser um concorrente direto da Braskem, a maior petroquímica da América Latina. Os críticos da empresa dizem, porém, que a Petrobrás desequilibrou o jogo de forças no setor.
Para definir a composição da CPS, a Petrobrás comprou a Suzano Petroquímica e negociou a participação da Unipar como sócia majoritária, com mais de 50% de participação na nova empresa. Em março deste ano, a Petrobrás já havia feito uma operação semelhante no Sul do País. Junto com a Braskem e o Grupo Ultra, a estatal comprou a Ipiranga Petroquímica, empresa que fazia parte do Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul (Copesul). Uma reestruturação parecida já havia sido feita no Nordeste, na Copene.
Essas reestruturações provocam polêmica pelo poder da Petrobrás em escolher quem serão os principais protagonistas do setor, segundo os críticos da estatal. O empresário Boris Gorentzvaig, sócio da Petroquímica Triunfo, diz que ao final do processo a Braskem terá ¿um monopólio privado¿ do setor.
Já os defensores da estratégia da estatal dizem que a criação da CPS é uma operação necessária para contrabalançar o poder da Braskem, empresa hoje dominante na Copesul e na Copene. ¿A criação de uma segunda companhia para enfrentar a Braskem não irá alterar a oferta e a demanda no Brasil¿, diz Marcos Pereira, analista de petroquímica da corretora Fator. ¿Esse é um movimento para organizar a indústria.¿
São grandes os interesses em jogo nessa negociação. O setor petroquímico brasileiro fatura por volta de US$ 40 bilhões por ano. Sua área de abrangência inclui toda a cadeia de produção do plástico - do processamento dos derivados de petróleo em produtos de consumo até a fabricação de peças de automóveis.
O consumo de plásticos no Brasil está crescendo muito. De 1990 até hoje, o consumo de resinas cresceu 186%. Passou de 1,4 milhão de toneladas por ano para 4,2 milhões de toneladas. Por enquanto, as indústrias brasileiras ainda têm espaço de sobra para atender o mercado. Sua capacidade de produção é de 6 milhões de toneladas por ano, segundo o Sindicato das Indústrias de Resinas Sintéticas do Estado de São Paulo (Siresp).
O que mais preocupa os especialistas e empresários é a concorrência internacional. Em países mais ricos em petróleo e gás, como os do Oriente Médio, os preços da matéria-prima são menores e, portanto, o custo dos produtos acabados também é mais baixo.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplat) a diferença dos preços de resinas no mercado brasileiro e asiático supera os US$ 1 mil. ¿A diferença de preço entre a matéria-prima nacional e a importada é tão grande que já compensa importar, mesmo com o custo de frete e de impostos¿, diz Merheg Cachum, presidente da Abiplast. Cachum cita, como exemplo, o custo da tonelada de polipropileno. Na Ásia, o preço é de US$ 1.360,00, enquanto que no Brasil, já com PIS e Cofins, o custo é de US$ 2.420,00.
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