Título: Nos EUA, Sarney alerta para ação armamentista de Chávez
Autor: Fernandes, Nalu
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/12/2007, Nacional, p. A13
Para senador, acordo nuclear com Irã ¿diz respeito ao mundo inteiro¿
O senador José Sarney (PMDB-AP) voltou a afirmar ontem que a Venezuela está iniciando um movimento que pode deflagrar uma corrida armamentista na América Latina. A investidores estrangeiros, em Nova York, o senador e ex-presidente disse que considera o regime da Venezuela um ¿socialismo de fantasia¿.
Sarney declarou que que, por ter sido ¿o presidente da transição¿ no Brasil (da ditadura militar para a redemocratização), se sente incumbido de lutar pela democracia no continente. ¿Estou apoiando o presidente Lula, porque foi a solução para o Brasil. Tem aqueles que querem fortalecer a democracia e aqueles que estão marchando para o populismo¿, afirmou, em referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. ¿Vou fazer como Toledo¿, disse, referindo-se ao ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que abriu a conferencia sobre América Latina. ¿Ele não citou nomes. Vou acompanhar a solução dele.¿
Mas o senador não resistiu por muito tempo. ¿A reforma constitucional (de Chávez) tem intenção de fazer uma revolução socialista, o que é um retrocesso. Este é um assunto interno, não podemos interferir. Mas quanto a compra de armas, sim¿, ressaltou, argumentando que essa questão afeta a região como um todo. ¿Não tem explicação por que a Venezuela compra tanto armamento.¿ Quando o país vizinho se une ao Irã para um acordo nuclear, então, ¿diz respeito ao mundo inteiro¿, completou.
Sarney, que encerrou o evento, decidiu mudar o rumo de seu discurso após ver a apresentação de Toledo e dos outros palestrantes. Inicialmente sua fala seria voltada para a economia brasileira, tanto que slides sobre o tema haviam sido distribuídos previamente para a platéia. Mas optou por fazer ponderações de cunho global e de suporte à democracia na América Latina. ¿Não acredito que o caminho do desenvolvimento não passe pela democracia¿, ressaltou.
Sobre o Mercosul, comparou o acordo ao processo da União Européia. ¿Como o desejo é ampliar o mercado comum para toda a América Latina, teremos problemas.¿ Ele ponderou que o projeto integrando toda a região não deve ser de conclusão rápida.
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