Título: Mittal vai investir US$ 5 bi no País
Autor: Komatsu, Alberto
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/11/2007, Negocios, p. B17
Dinheiro irá basicamente para a ampliação da capacidade de produção das unidades da ArcelorMittal no Brasil
Num discurso recheado de elogios ao Brasil, o presidente mundial do grupo ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, anunciou ontem investimentos de US$ 5 bilhões no País nos próximos cinco anos. O anúncio foi feito durante a inauguração da expansão da ArcelorMitttal Tubarão (ex-Companhia Siderúrgica de Tubarão), na cidade de Serra (ES), em cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A usina de Tubarão passa de uma capacidade de produção de 5 milhões para 7,5 milhões de toneladas de aço.
O investimento anunciado ontem por Mittal será aplicado na ampliação da produção das unidades da empresa no País. Uma dessas expansões será a do laminador de tiras de aço a quente de Tubarão, que passará dos atuais 2,8 milhões para 4 milhões de toneladas. Outra melhoria será feita na unidade de aços longos de João Monlevade (MG), a ArcelorMittal Belgo (ex-Belgo Mineira), que terá sua capacidade de produção dobrada para 2,4 milhões de toneladas por ano.
A meta do grupo no Brasil - que inclui ainda a ArcelorMittal Vega (ex-Vega do Sul) e a Acesita (que passará a se chamar ArcelorMittal Inox Brasil) - é chegar a uma produção anual de 14,5 milhões de toneladas de aço. ¿A ArcelorMittal Brasil representa a abordagem empresarial e a filosofia que tentamos construir em nossas fábricas no mundo inteiro¿, disse Mittal.
Lakshmi Mittal disse não estar preocupado com a perspectiva de uma crise de fornecimento de energia no Brasil. Segundo ele, é por isso que não deve haver alterações na velocidade e volume de investimentos programado para o País nos próximos cinco anos.
Segundo Mittal, o Brasil é uma das economias com maior potencial de crescimento do mundo. Ele citou como exemplo desse potencial a recente descoberta de uma megarreserva de petróleo na bacia de Santos e o crescimento da mineradora Vale no mercado mundial.
Questionado se a ArcelorMittal poderia diversificar sua atividade para outras áreas, como petróleo, Mittal disse que o grupo vai focar sua operação na siderurgia, mas não descartou a possibilidade de sua família, que tem atuação nessa área, fazer investimentos no País. O empresário informou que tem parcerias com o empresário Eike Batista, do grupo EBX, mas não especificou quais. Em 2005, Mittal perdeu uma disputa com o empresário brasileiro pela compra de jazidas de ferro na Bahia, pertencentes à Mineração Brasileira de Ferro (MBF).
Em entrevista coletiva de 40 minutos, na qual passou boa parte do tempo sorridente e demonstrando bom humor, Mittal elogiou a operação brasileira do grupo, mostrando preocupação em aliar produção de aço com preservação ambiental. ¿Essa postura é mais bem-sucedida no Brasil do que em qualquer outro País¿, afirmou o empresário, que pretende estender esse conceito a todas as unidades do grupo espalhadas pelo mundo.
Na China, Mittal disse estar em negociação com seus dois sócios privados na siderúrgica China Oriental para ampliar sua participação acionária para 71%. O empresário já investiu US$ 367 milhões para obter 28% dessa empresa. Na visão do empresário, é o mercado chinês que deve ditar o ritmo da variação do preço do aço, que não deverá apresentar mudanças no primeiro trimestre.
BILIONÁRIO
Lakshmi Mittal é considerado o quinto homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 32 bilhões. Tornou-se no ano passado o nome mais poderoso da siderurgia mundial, ao conduzir a compra da européia Arcelor por cerca de 30 bilhões, criando o maior grupo siderúrgico do mundo.
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