Título: PF vai ouvir deputados sobre fraude
Autor: Rodrigues, Ricardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/12/2007, Nacional, p. A8

Cinco parlamentares estaduais de Alagoas são convocados; 40 pessoas foram presas por rombo de R$ 200 mi

A Polícia Federal convocou cinco deputados estaduais de Alagoas para prestar depoimento no processo que investiga fraudes na folha de pagamento da Assembléia Legislativa. Na quinta-feira, durante a Operação Taturana, a PF prendeu 40 pessoas, entre políticos, funcionários do Legislativo, assessores, bancários e empresários, acusadas de envolvimento na fraude, que teria resultado no desvio de mais de R$ 200 milhões nos últimos cinco anos.

Dos 40, apenas o ex-governador Manoel Gomes de Barros já foi solto. Os demais continuam presos na Academia da Polícia Militar, em Maceió. Barros foi solto por determinação da Justiça estadual. Ele foi detido por porte ilegal de arma, mas alegou que o armamento encontrado em sua fazenda era dos policiais que fazem sua segurança.

Ao ser liberado, às 22 horas de anteontem, o ex-governador negou envolvimento na fraude e disse que há mais de dez anos não tem ligação nenhuma com a Assembléia. O advogado José Fragoso Cavalcante confirmou que o mandado de busca e apreensão executado pela PF na fazenda de Barros, em União dos Palmares (AL), seria decorrência da denúncia contra o deputado Nelito Gomes de Barros (PMN), filho do ex-governador.

A PF informou que os deputados convocados a depor são Nelito Gomes de Barros, Antônio Albuquerque (DEM), presidente da Assembléia, Dudu Albuquerque (PSB), Edival Gaia Filho (PSDB) e Cícero Amélio (PMN). O deputado estadual Cícero Ferro (PMN), que foi preso na Operação Taturana por porte ilegal de arma, não está na relação dos notificados.

DATAS

Os deputados estaduais têm direito a foro privilegiado, por isso podem agendar os depoimentos. Segundo a Justiça, eles terão cinco dias úteis para isso. O advogado de Antônio Albuquerque, Adelmo Cabral, já anunciou que ele quer depor apenas em 8 de janeiro.

O advogado Tutmés Ayran, contratado por Dudu Albuquerque, também prefere que seu cliente deponha em janeiro. Ayran disse que quando mais tempo ganhar melhor. ¿Todos os advogados vão querer marcar os depoimentos para a data limite, para que possam se inteirar do processo e preparar a defesa dos clientes. Não há nenhum propósito protelatório¿, ressalvou. Ele contou que Dudu Albuquerque é acusado de receber dinheiro da Assembléia Legislativa de fontes ilícitas, sem ser da folha de pagamento.

Depois de receber as propostas de data dos advogados, o delegado que investiga o caso, Janderlyer Lima, vai analisar se as aceita. Mas ele já adiantou que gostaria de agendar depoimentos para os próximos dias.

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