Título: Evo sai se tiver menos votos que em 2005
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Fonte: O Estado de São Paulo, 08/12/2007, Internacional, p. A29
Segundo projeto do presidente, regra vale também para os 9 governadores
EFE e AP
O presidente da Bolívia, Evo Morales, deixará o governo se receber um voto a menos no referendo para revogação de seu mandato do que os obtidos nas eleições de 2005, mecanismo que também será aplicado no caso dos nove governadores do país. O porta-voz presidencial, Alex Contreras, disse ontem que a fórmula será estabelecida pelo projeto de lei para a revogação de mandatos.
Evo deveria ter apresentado o projeto ontem ao Congresso, mas adiou a iniciativa para hoje, pois, segundo Contreras, uma equipe jurídica do governo ficaria trabalhando até tarde da noite na elaboração do texto.
Sete dos governadores não pertencem ao partido governista, mas todos aceitaram submeter-se ao referendo. Eles aguardam para conhecer os detalhes e os prazos da norma anunciada por Evo quando a proposta for apresentada oficialmente ao Congresso.
Segundo o porta-voz presidencial, a proposta estabelece a revogação do mandato de Evo e dos nove governadores, caso obtenham um voto a menos que os alcançados nas eleições de dezembro de 2005. O partido de Evo, Movimento ao Socialismo (MAS), conseguiu 1.544.374 votos (53,74% do total). Nas mesmas eleições, os nove governadores dos Departamentos (Estados) foram eleitos por voto direto pela primeira vez. Até então, eram nomeados pelo governo. Segundo uma pesquisa divulgada no fim de novembro nas cidades de La Paz, El Alto, Cochabamba e Santa Cruz de la Sierra, o apoio a Evo é de 52%, dez pontos porcentuais a menos do que em outubro.
Evo propôs o referendo na quarta-feira como um ¿desafio¿ a seus opositores, em particular os governadores. Desde segunda-feira, a oposição promove uma greve em protesto contra a aprovação, em primeira instância, do projeto da nova Constituição no dia 24, em Sucre, em meio ao boicote da oposição.
A mesa diretora da Constituinte retomará as sessões na quarta-feira na localidade de Lauca Ñ, na zona cocaleira de Chapare, reduto de Evo.
CONFRONTOS
Ontem quatro pessoas ficaram feridas, incluindo um policial, durante a invasão de escritórios públicos em Tarija, no sul do país, em meio a protestos contra o governo. A polícia dispersou os manifestantes com gás lacrimogêneo.
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