Título: Medvedev quer Putin como premiê
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/12/2007, Internacional, p. A18
Provável futuro presidente ensaia manobra que permitirá a líder manter boa parte do poder
Moscou
O vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, disse ontem que gostaria que o presidente Vladimir Putin fosse premiê em seu governo, um dia depois de o líder russo tê-lo nomeado como seu sucessor. O anúncio é um forte indício de como o presidente, impedido pela Constituição de tentar um terceiro mandato, manterá sua influência sobre a política russa.
¿Acho que é de importância fundamental para nosso país que o cargo mais importante do governo, o de primeiro-ministro, seja ocupado por Vladimir Putin¿, afirmou Medvedev durante um discurso televisionado. O vice-premiê disse ainda que foi o presidente quem ¿impediu o colapso da economia e da sociedade, que poderia ter levado a uma guerra civil¿. O advogado afirmou ainda que manterá as políticas de Putin.
O presidente russo não comentou o pedido de Medvedev. Uma fonte do governo, no entanto, disse que a oferta do vice-premiê era uma iniciativa ¿honesta, de um futuro candidato presidencial que mostrou aos russos com quem gostaria de trabalhar¿.
Apesar de ser visto como uma figura política fraca, Medvedev não deve ter dificuldades para vencer a eleição presidencial de 2 de março com o apoio do líder russo. Sem experiência no comando dos serviços secretos russos e base de apoio no Kremlin, o premiê seria o presidente ideal para que Putin mantivesse o controle sobre o país. Outra possibilidade seria a de Medvedev, apontado como um dos assessores mais leais de Putin, renunciar à presidência. Como na Rússia o presidente é substituído pelo premiê, o líder russo retornaria legalmente ao cargo.
Se Putin aceitar ser premiê, a manobra política mudará o panorama do poder na Rússia, onde o presidente tem o poder formal e o primeiro-ministro é um administrador do governo. Desde o fim da União Soviética, os premiês russos sempre foram usados como bodes expiatórios durante crises. Alguns analistas estimam o fortalecimento do primeiro-ministro e o enfraquecimento da presidência pode causar um desequilíbrio na estrutura do poder e possível instabilidade institucional.
Para Georgui A. Starov, ex-assessor do presidente Boris Yeltsin, a situação política russa está tão indefinida que é impossível prever quem realmente controlará o país. Segundo ele, Putin precisa agora acabar com os conflitos de diferentes facções no Kremlin. ¿Para o presidente é muito importante restabelecer o equilíbrio da estrutura de poder¿, disse o ex-assessor. O anúncio de ontem pode ter sido um sinal para os grupos rivais de que o líder russo manterá o controle da Rússia. THE NEW YORK TIMES, AP E REUTERS
Links Patrocinados