Título: Brasil quer 1,25% do comércio global em 2010
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/12/2007, Internacional, p. B10
Vendas externas brasileiras correspondem, atualmente, a 1,14% do intercâmbio mundial; em valores, meta é atingir US$ 208 bilhões
Renata Veríssimo
O governo trabalha com o objetivo de colocar o Brasil entre os 20 maiores exportadores do mundo até 2010, sendo responsável por 1,25% das vendas internacionais. Em valores de hoje, a meta representa US$ 208 bilhões em exportações. Em 2006, o Brasil ficou com 1,14% do comércio mundial.
A meta, segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, será estabelecida na política industrial que o governo deve anunciar no início do próximo ano.
¿A política industrial é ampla e abrange vários setores em termos de inovação, de tecnologia e de comércio exterior¿, disse. ¿Terá várias ações, inclusive relacionadas com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em termos de logística e competitividade¿, explicou. Para ele, ¿um país que se coloca uma meta ambiciosa dessas demanda articulação grande entre governo e setor privado.¿
Na semana passada, o Ministério do Desenvolvimento contratou uma consultoria que vai elaborar um Plano Estratégico para a Secretaria de Comércio Exterior, cujo foco é a eliminação da burocracia. ¿Vamos divulgar em março as ações, metas e cronogramas para poder cobrar nos próximos três anos e chegar à nossa meta em 2010¿, informou.
Em 2008, também entrará em vigor o novo Siscomex-exportação. Por meio dele, o exportador poderá registrar suas vendas externas de qualquer computador em todo mundo. Hoje, é preciso ter um programa específico instalado no computador da empresa.
SALDO
A despeito das análises pessimistas, Barral acredita que a balança comercial brasileira ainda terá ¿um superávit importante¿ em 2008. Embora evite falar em números para o saldo, ele critica os analistas que prevêem uma queda acentuada no superávit e rebate a tese de que a valorização do real ante o dólar seja o maior problema de perda de competitividade do exportador.
Segundo ele, estudos apontam a burocracia e o custo de logística como os maiores entraves, dois gargalos que o governo promete atacar com o lançamento da nova política industrial e do plano estratégico para a secretaria.
¿Há uma tendência pessimista em grande parte das análises de mercado, mas deveriam levar em conta a vitalidade atual da economia brasileira, que é perceptível nas importações de máquinas, que aumentaram muito - mas a produção também cresceu. Isso mostra a sustentabilidade e a vitalidade do crescimento brasileiro¿, afirmou Barral.
O governo aposta no aumento da competitividade das exportações brasileiras, mesmo com o câmbio desfavorável, e projeta US$ 172 bilhões em vendas externas para 2008. Para atingir a meta, as exportações do País terão de crescer quase o dobro dos 5,5% de aumento projetados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para as vendas mundiais em 2008.
Ele ressalta que todas as estimativas para 2007 sobre o crescimento das exportações e a queda do superávit foram desmentidas. Afirma que as exportações superarão com folga a meta revisada do governo para este ano, de US$ 157 bilhões, e diz que o superávit ficará na casa dos US$ 40 bilhões.
Em 2008, na avaliação do secretário, dois aspectos devem ter peso relevante no resultado do superávit comercial: os preços das commodities no mercado internacional e a duração do processo de renovação do parque industrial brasileiro.
Barral avalia que os preços dos produtos básicos devem continuar em alta no próximo ano por causa do aumento da demanda por commodities em novos países consumidores, como a China. Com isso, as exportações de produtos básicos devem continuar crescendo em ritmo forte em 2008.
Na outra via, ele acredita que as importações de bens de capital, que hoje representam 31% das compras internacionais, podem perder fôlego. ¿A partir do momento em que houver renovação do parque industrial, esse porcentual tende a cair¿, acredita.
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