Título: Governo tenta reduzir embargo à carne
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/12/2007, Internacional, p. B10

Diplomatas mantêm contato com técnicos da UE para amenizar impacto da decisão de restringir exportações

O governo brasileiro trabalha nos bastidores para tentar suavizar o impacto do novo embargo que será imposto pela União Européia (UE) sobre as carnes brasileiras. Fontes em Bruxelas confirmaram ao Estado que o governo está em ¿constante contato¿ com os técnicos europeus apresentando seus argumentos nos últimos dias.

Nesta semana, a UE deixou claro que está estudando a aplicação de novas medidas contra a carne nacional diante dos problemas fitossanitários. Um anúncio das limitações deve ser feito na próxima semana.

Oficialmente, o governo brasileiro não quer se pronunciar sobre o assunto, já que afirma não ter recebido nenhum comunicado dos europeus de como seria esse embargo. Mas a diplomacia está atuando de forma ativa nos bastidores para tentar convencer os técnicos europeus de que o Brasil está fazendo avanços e, portanto, medidas mais duras não seriam justificadas nem necessárias.

Pressionado pelo setor privado, o governo sabe que tem até o dia 19 dese mês para conseguir suavizar as medidas restritivas adotadas pelos europeus. Na semana que vem, os veterinários da Europa que estiveram em novembro visitando o Brasil apresentarão o resultado da inspeção e vão propor medidas.

Uma das que estão sendo consideradas seria reduzir o número de fazendas autorizadas a exportar. Fontes que acompanharam a visita dos veterinários revelaram ao Estado que os europeus encontraram gado de Estados banidos do comércio - São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul - em fazendas que exportam para o mercado europeu.

Bruxelas não permite a entrada da carne desses três Estados por causa da aftosa. Mas há indícios de que o gado criado nessas regiões é transportado para outros Estados e, de lá, segue para a Europa.

AVANÇOS

Nos encontros em Bruxelas nos últimos dias, o governo brasileiro está usando como argumento o fato de que não foi encontrado nada na inspeção que represente um risco para a saúde animal ou humana dos europeus.

Outro argumento dos diplomatas brasileiros é de que o Brasil pode não estar em dia com todo seu sistema de controle fitossanitário, mas os avanços são evidentes e esforços estão sendo feitos para criar um sistema que funcione. O Itamaraty quer saber dos europeus o que mais pode ser feito para contornar o problema e evitar um embargo mais amplo.

O governo tenta mostrar que está engajado na melhoria do controle. Mas os europeus parecem cansados das promessas. Eles contam que já prorrogaram várias vezes os prazos e deram oportunidades para o Brasil pôr o sistema em ordem, o que nunca ocorreu totalmente.

Os europeus, porém, não podem fechar o mercado para o Brasil. O País é hoje um dos maiores fornecedores de carne à região, e uma interrupção provocaria desequilíbrio no mercado.

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