Título: Lula desautoriza Mantega e pede contas para decidir sobre nova CPMF
Autor: Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/12/2007, Nacional, p. A4

Presidente diz que não há motivo para atitudes precipitadas e que ¿momento é mais de reflexão do que de reação¿

Depois da forte reação negativa da oposição à idéia do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de criar um imposto sobre movimentação financeira (como a CPMF) para financiar a saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou seu auxiliar. Ao ser indagado ontem sobre a proposta de Mantega, revelada em entrevista ao Estado publicada no sábado, Lula respondeu: ¿Avalio que ele vai ter de me convencer da necessidade disso. Ou seja, ele falou para vocês (jornalistas) e agora vai ter de colocar na minha mesa e eu vou decidir se vamos ou não vamos, se precisamos ou não precisamos. Eu quero ver todas as contas.¿

As declarações do presidente foram feitas em breve entrevista após votar no segundo turno das eleições do PT, na sede do Diretório Nacional do partido, em Brasília. Lula destacou que não há motivos para que o governo fique estressado e tome decisões apressadas.

¿A orientação que dei ao ministro da Fazenda quando viajei é de que é preciso neste momento contar até dez. Não tem nenhuma medida precipitada.¿

Pouco depois, o presidente mandou mais um recado endereçado a Mantega. ¿O que eu quero é que tudo fique na normalidade. Não existe nenhuma razão para ninguém estar nervoso. Não existe nenhuma razão para que alguém faça alguma loucura de tentar aumentar a carga tributária. O fato é que nós vamos encontrar uma saída. Eu estou tranqüilo de que o País vive um momento bom e, portanto, o governo precisa entender que o momento é mais de reflexão do que de reação¿, disse. Em sua entrevista ao Estado, Mantega falou da necessidade de criar um imposto sobre movimentação financeira especificamente para financiar a saúde.

DIÁLOGO

Com suas afirmações, Lula tentou mostrar que a idéia de criar um tributo nos moldes da CPMF para financiar a saúde não é uma decisão de governo. Assim, busca preservar a possibilidade de dialogar com a oposição, que, depois da vitória com a derrubada do imposto do cheque, demonstrou disposição de sentar à mesa com o governo.

Na entrevista, Mantega sinalizou que o novo tributo poderia ser criado, até, por medida provisória, o que irritou muito a oposição.

De acordo com informações do Ministério da Fazenda, depois da entrevista dada ontem na sede do PT, Lula conversou com Mantega e ouviu do ministro explicações sobre o assunto. O clima entre os dois, disse uma fonte, estaria tranqüilo.

Para o presidente, o desempenho favorável da economia deve ajudar o governo a compensar parte das perdas com o fim da CPMF, já que o crescimento do País estimula o aumento da arrecadação de impostos.

¿Obviamente trabalho com a expectativa de que, se a economia crescer mais, nós vamos arrecadar mais¿, disse Lula. Segundo ele, na quarta-feira, após o retorno de viagem para Bolívia e Uruguai, será feita uma reunião com os ministros para ¿pensar o que fazer¿.

Lula deu bastante ênfase ao bom momento econômico do País e ressaltou que isso deve levar o governo a agir com tranqüilidade. ¿Estamos terminando o ano em situação muito boa do País, diria até privilegiada. Nós vamos iniciar 2008 também em situação privilegiada. Ou seja, não tem crise, não tem susto¿, afirmou, destacando que o nível de atividade econômica em aceleração leva a aumento nos empregos e no poder de compra da população. ¿O Brasil vive um momento quase mágico, para quem viveu décadas de desespero. Nós estamos muito equilibrados.¿

O presidente disse ainda que a decisão do Senado faz parte do jogo democrático, mas atacou os que votaram contra a CPMF.

¿Acredito que o gesto foi impensado e, se foi pensado, foi de má-fé de algumas pessoas que votaram contra sabendo que causariam prejuízo de R$ 24 bilhões para a saúde¿, afirmou. ¿Alguns senadores que votaram contra fizeram isso porque não querem que este governo dê certo, outros porque acreditam na teoria do quanto pior, melhor; alguns, com medo de serem cassados pelos seus partidos. Ou seja, tem um pouco de tudo.¿

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