Título: Planalto retoma negociação com bispo
Autor: Nossa, Leonencio
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/12/2007, Nacional, p. A8
Governo propõe construção de cisternas no semi-árido e só deve retomar obras de transposição no dia 7
O Palácio do Planalto retomou ontem as negociações com o bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que completou ontem 21 dias em greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que o fim das obras não está em jogo, mas autorizou auxiliares a discutirem propostas que facilitem o diálogo, como a revitalização do rio e a construção de um milhão de cisternas no semi-árido. ¿Mas, parar as obras, nem pensar¿, ressaltou o presidente.
O projeto ficará suspenso até o dia 7 de janeiro. Assessores do Planalto avaliam que a folga do Exército, que executa os trabalhos, cria um clima de ¿distensão¿ e ¿negociação¿.
As obras estão paralisadas no momento por uma decisão judicial, tomada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª Região na semana passada. A combinação do recesso das tropas do Exército com a liminar do TRF de Brasília abriu uma janela de oportunidade para o governo federal, que aproveitou a situação para formular ao bispo uma saída honrosa da greve de fome. A paralisação forçada das obras seria o pretexto.
Em conversa por telefone no sábado, um padre ligado a d. Luiz propôs a Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete da Presidência da República, que o governo retomasse o projeto de construção de cisternas, engavetado desde 2003. Isso facilitaria a negociação.
Ainda no sábado, Carvalho falou pelo telefone por dez minutos com o próprio d. Luiz, que reclamou da ¿insensibilidade¿ do governo. O bispo, no entanto, afirmou que iria conversar com pessoas próximas a respeito do projeto das cisternas. Mais tarde, um assessor do religioso telefonou para dizer que só haveria diálogo se as obras fossem mesmo interrompidas.
Ontem, no final da manhã, Carvalho esteve na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a convite do secretário-geral da entidade, d. Dimas Barbosa. Uma nova visita do chefe de Gabinete aos bispos deve ocorrer, dessa vez acompanhado de técnicos do governo. Lula orientou o assessor a discutir com d. Luiz apenas projetos de revitalização e construção de cisternas.
IGREJA
A suspensão temporária das obras é uma saída honrosa para ambos os lados, disse um interlocutor ligado à Igreja Católica. Anteontem, o bispo de Barra rejeitou pedido do Vaticano para que interrompesse o ¿gesto extremo¿ da greve de fome.
D. Luiz justificou sua recusa dizendo que deve obediência ao papa Bento XVI, e que a carta representa somente um pedido, que pode ser acatado ou não.
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