Título: Distrito Federal é o melhor lugar para os jovens viverem; Alagoas, o pior
Autor: Paraguassú, Lisandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/12/2007, Vida&, p. A24
IDJ, preparado a cada dois anos, leva em consideração dados saúde, educação e renda per capita familiar
O Distrito Federal é, hoje, o melhor lugar do País para um jovem de 15 a 24 anos viver. Tem a melhor educação e a mais alta renda familiar do Brasil e fica no topo da lista do Índice de Desenvolvimento Juvenil (IDJ), preparado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz com base em dados de saúde, educação e renda. Mas, como a maior parte das zonas metropolitanas brasileiras, o DF perde pontos com a violência. Com 96,7 mortes por 100 mil habitantes entre os jovens, a capital do País tem uma das maiores taxas de mortes violentas do País.
Mais informações sobre o IDJ
A capital do País é o extremo positivo de uma situação brasileira que está longe de ser boa. O IDJ nacional é 0,535, em uma escala em que 1 seria a mais alta e 0,800, um bom índice. Quando comparado como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em que o Brasil alcançou 0,800 e passou a ser considerado de alto desenvolvimento, pode-se dizer que a vida dos jovens brasileiros é bem mais difícil. E, em alguns Estados, ainda pior que em outros.
Carolina Venuto, de 21 anos, admite sem receio: é privilegiada. Mora em Brasília, cidade isolada de sua periferia, afastada de bolsões de violência e com a maior renda per capita do Brasil. É filha de funcionário público. Bancada pelos pais, estudou nos melhores colégios e mora em bairro de classe média alta.
Se educação e renda não são problemas para essa juventude, a violência começa a preocupar. Com alto índice de mortes violentas, assaltos, seqüestros e acidentes de trânsito passam a amedrontar os jovens brasilienses. ¿Os jovens de Brasília ganham carros bons muito cedo. Isso acaba gerando muito acidente¿, observa Carolina, que também tem seu carro próprio.
PARÂMETROS
O relatório do IDJ de 2007 indica melhorias. Os jovens brasileiros estão estudando um pouco mais. Há menos analfabetos entre aqueles com 15 a 24 anos. Morrem um pouco menos de doenças evitáveis e até mesmo a violência e a desigualdade social diminuíram nos últimos cinco anos. Mas, a terceira edição do IDJ mostra que as boas notícias escondem problemas que as políticas públicas ainda não conseguiram atacar.
Se há mais jovens no ensino médio e superior, a qualidade da educação vem caindo desde o fim dos anos 90. O número de mortes violentas de jovens diminuiu em vários Estados, mas com média de 48,6 mil assassinatos a cada 100 mil jovens, ainda é uma das mais altas do mundo. Quase 7 milhões de jovens brasileiros não estudam nem trabalham .
¿Está melhorando, mas não no ritmo necessário. Ainda é um processo vacilante, mas há demonstrações de que há condições para que se melhore mais¿, afirmou Waiselfisz, que preparou o estudo em uma ação conjunta do Instituto Sangari e da Rede de Informações Tecnológicas da América Latina (Ritla).
As melhorias se concentram na educação e na saúde, quesito em que, pela primeira vez desde 2003, alguns Estados, como São Paulo, mostraram redução nos casos de mortes violentas de jovens. ¿Não é homogêneo. Há diferenças, houve aumento em alguns lugares, mas existem pontos de queda¿, explicou o pesquisador.
O IDJ é calculado levando-se em contra três áreas: saúde, educação e renda. No primeiro tema, consideram-se as mortes por causas externas - assassinatos e acidentes de trânsito - e aquelas causadas por doenças. Em educação, contam o analfabetismo, a escolaridade adequada para a idade e a qualidade do ensino, computada pelos dados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb).
Na renda, é calculada a renda per capita familiar. A estrutura é a mesma do IDH, mas com um maior detalhamento.
Se Brasília aparece como o extremo positivo, do outro lado Alagoas combina resultados ruins em todas as áreas. Os jovens alagoanos vivem em famílias com a menor renda per capita do País, têm os piores índices de educação e também não vão bem em saúde. Para cada 100 mil jovens, 138 são assassinados. Maranhão Pernambuco e Piauí não estão muito longe desses números.
Mas, se os últimos lugares do IDJ estão reservados aos Estados do Norte e Nordeste, por conta dos problemas de educação e renda, a violência leva o Rio para a última posição em saúde. Com um bom nível de educação e uma renda razoável, o Estado poderia ser um lugar melhor para os jovens não fosse a alta probabilidade de mortes violentas.
Entre 2005 e 2007, São Paulo subiu uma posição no ranking do IDJ, de 4º para 3º lugar. Essa evolução aconteceu unicamente por conta da diminuição das mortes, especialmente as violentas.
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