Título: S&P elogia manutenção do superávit mesmo sem tributo
Autor: Veríssimo, Renata; Graner , Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/12/2007, Economia, p. B1
Agência destaca medida e mantém perspectiva positiva para nota do Brasil
A analista responsável pelo Brasil da agência de classificação de risco Standard & Poor¿s, Lisa Schineller, disse ontem ao Estado que foi muito importante que o governo, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha manifestado a intenção de manter a meta de 3,8% de superávit primário em 2008, apesar do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
¿É muito relevante o compromisso do presidente da República de manter o superávit primário intacto, apesar de não poder contar com as receitas da CPMF para 2008¿, comentou. Ontem, a agência reafirmou a nota (rating) atual do Brasil e disse que a perspectiva continua positiva.
Para Lisa, se o governo comprovar em números oficiais no primeiro trimestre de 2008 que de fato está mantendo o superávit primário dentro da meta de 3,8% do PIB, isso ¿manterá o País no caminho certo¿ para receber uma melhora de sua nota, o que na prática representará a concessão do grau de investimento. Essa classificação, dada por empresas como a S&P, significa que a probabilidade de um devedor dar calote é baixa.
A S&P assume que o governo conseguirá compensar as perdas de aproximadamente R$ 40 bilhões de arrecadação da CPMF especialmente com cortes de despesas e eventuais aumentos de alguns impostos.
Lisa disse que há boas perspectivas de o governo conseguir acordos políticos adequados no Congresso para aprovar um novo desenho do Orçamento que contemple medidas que vão harmonizar as receitas com as despesas.
¿A aprovação da DRU no Senado indica que há boas condições para o diálogo entre o governo e os parlamentares sobre essa questão importante.¿ Lisa trabalha com a hipótese de que as contas públicas alcançarão um superávit primário de 3,8% do PIB em 2008.
Junto com a continuidade da boa gestão na área fiscal, Lisa Schineller acredita que o governo continuará apoiando a política monetária austera adotada pelo Banco Central (BC) para combater a inflação, que registra nesse momento um movimento ascendente. ¿Estou segura de que o presidente continuará a dar todo apoio à autonomia do BC a fim de trabalhar com energia para manter a inflação baixa, pois esse foi um dos principais fatores que contribuíram para a melhora da renda da população nos últimos anos.¿
Para Lisa, a combinação da continuidade do rigor da política monetária e da área fiscal, com a expansão dos investimentos em infra-estrutura que vão ajudar a ampliar o potencial de crescimento do País, deve ser mantida pelo governo em 2008. Assim, ela espera que, apesar de a inflação subir por conta, principalmente, do consumo das famílias, o IPCA deve ficar próximo a 4,5% em 2008, portanto, dentro da meta do governo.
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