Título: Derrota leva Hillary a rever tática
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/01/2008, Internacional, p. A11

Campanha que até agora tinha como tônica a experiência da ex-primeira-dama passa a adotar discurso da mudança

Jonathan Weisman e Paul Kane

Para a senadora Hillary Clinton, supostamente favorita na disputa pela candidatura democrata à Casa Branca, Iowa sempre foi um grande risco. Agora sua equipe precisa decidir como reorganizar uma campanha, baseada na experiência, para atrair um eleitorado que deseja mudanças.

Depois de seu discurso final aos eleitores de Iowa, que se concentrou em seus 35 anos de serviço público, Hillary descobriu que a população local queria ouvir uma mensagem bem diferente.

Com uma margem de mais de dois para um, os participantes entrevistados na chegada aos locais das assembléias apontaram a mudança, e não a experiência, como a qualidade mais importante para decidir seu voto.

A maior chance de ser eleita em uma disputa direta com os republicanos, outro argumento apresentado pela campanha de Hillary, ficou bem atrás em termos de importância.

A senadora até que apareceu na noite de quinta-feira, em Iowa, para adotar uma mensagem de mudança, mas não conseguiu desgrudar-se do argumento de que só ela está pronta para a presidência.

¿Estamos enviando uma clara mensagem: teremos mudança. E essa mudança será um presidente democrata na Casa Branca em 2009¿, disse ela a simpatizantes no momento em que reconheceu a vitória do senador Obama.

Hillary, porém, acrescentou: ¿O mais importante agora é saber que venceremos em novembro de 2008 nomeando um candidato que é capaz de chegar à presidência. E quem será o melhor presidente desde o primeiro dia? Estou pronta para essa disputa.¿

EX-FAVORITA

Depois do comício, Bill Clinton, seu marido e ex-presidente, disse aos abatidos assessores de Hillary que havia uma boa notícia nos resultados. De acordo com ele, a campanha da ex-primeira-dama havia conquistado bem mais do que os 70 mil eleitores esperados.

O ex-presidente afirmou ter certeza de que uma análise pós-caucus mostraria que Hillary e Obama empataram entre aqueles eleitores que votaram pela primeira vez nas primárias.

Hillary lançou sua campanha como a provável vencedora entre os democratas. Ela aproveitou sua experiência e a afeição dos democratas pela presidência do marido para levantar um fundo de campanha sem precedentes e formou um time de consultores que a distanciou de qualquer outro concorrente à Casa Branca.

Ela não era apenas a única candidata pronta para entrar na Casa Branca e ser presidente desde o primeiro minuto. Hillary seria parte de uma restauração dos Clintons - uma visão cultivada por muitos democratas saudosos que serviram durante o governo de seu marido.

Contra essa visão, Obama argumentou que o eleitorado em geral - e os democratas em particular - não queriam regredir, mas sim adotar alguma coisa diferente.

¿Hillary Clinton cometeu um erro fundamental: acreditou que, entre os democratas, a experiência seria o fator decisivo na eleição¿, disse o deputado democrata Artur Davis, partidário de Obama. ¿Os democratas querem mudança e ousadia. A retórica da experiência associa Hillary ao establishment em Washington.¿

A campanha de Hillary sempre afirmou que Iowa seria o Estado mais difícil. Em um memorando vazado no primeiro semestre do ano passado, um assessor importante chegou a sugerir que ela não entrasse na disputa no Estado.

Howard Wolfson, diretor de comunicação de Hillary, tentou incluir Iowa em uma perspectiva nacional mais ampla, insistindo que a derrota no Estado foi um caso isolado e não um indicador de uma tendência na disputa pela candidatura. ¿É aqui que o processo começa. Não é aqui que ele termina¿, disse ele.

Entretanto, estrategistas democratas afirmaram que o apertado cronograma das primárias e o humor dos eleitores podem indicar dificuldades no caminho da senadora. ¿É difícil recuperar as forças em apenas cinco dias diante da grande vitória de Obama em Iowa¿, disse Carter Eskew, um dos mais experientes estrategistas democrata, que este ano não se envolveu na campanha.

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