Título: PT dá a largada em preparativos da eleição em SP
Autor: Oliveira , Clarissa
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/01/2008, Nacional, p. A8
Petistas começam este mês a discutir programa de governo e já saem em busca de aliados para disputa
O PT inaugura nas próximas semanas a temporada de preparativos para a disputa pelo comando da maior cidade do País. O Diretório Municipal do partido em São Paulo agendou para o dia 21 sua primeira reunião de 2008, já com a nova direção eleita no fim do ano passado. No encontro, serão instalados os grupos temáticos encarregados de elaborar o programa de governo que guiará a candidatura do partido à prefeitura paulistana.
Ainda sem a certeza de que contará com o nome da ministra do Turismo, Marta Suplicy, na disputa, o PT de São Paulo pretende iniciar as conversas formais com outros partidos para elaborar sua política de alianças. ¿Vamos propor uma grande frente em São Paulo, mas trabalharemos preferencialmente com partidos que hoje estão na coalizão do governo Lula¿, conta o novo presidente do PT no município, José Américo.
A sigla, segundo ele, já traçou as linhas básicas do programa, que será centrado na figura da ex-prefeita. Em um primeiro ponto, será feito um balanço das conquistas de Marta quando esteve à frente da administração municipal. Em seguida, o resultado será comparado às gestões do hoje governador do Estado, José Serra (PSDB), e do atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM). Enquanto isso, afirma Américo, o partido continua conversando com Marta sobre a candidatura. ¿Estamos dialogando¿, diz o dirigente petista. ¿Ela já colocou que é uma pessoa de partido, que não tem projeto pessoal.¿
Até algum tempo, Marta não cogitava a possibilidade de se candidatar. Nos últimos meses, contudo, ela tem se mostrado mais flexível. Dentro do PT, a expectativa é de que a definição passará principalmente pela posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o caso. Se ele julgar que Marta deve se candidatar este ano, a ministra tende a aceitar.
SEM PRESSA
Vários partidos que devem se lançar na disputa paulistana não estão adiantados como o PT nos preparativos. Em diversos casos, assuntos como a elaboração do programa de governo nem sequer começaram a ser discutidos. Mas as conversas caminham nesse sentido.
É o caso do PSB, que integra o chamado ¿bloquinho¿ no Congresso Nacional, ao lado do PDT e do PC do B. ¿O PSB ainda não se reuniu para decidir essa questão das eleições em São Paulo¿, diz a deputada e ex-prefeita Luiza Erundina, pré-candidata para a disputa. ¿Mas acho que já está em tempo de começarmos a discutir.¿
Segundo ela, os partidos do bloquinho têm manifestado interesse em montar uma frente também em São Paulo, mas as negociações ainda estão pouco avançadas. Uma das tarefas será decidir quem representará o grupo. ¿Cada partido tem um pré-candidato¿, afirma Erundina, em referência aos deputados Paulo Pereira da Silva (PDT) - o Paulinho da Força Sindical -, e Aldo Rebelo (PC do B), ex-presidente da Câmara.
Erundina se diz disposta a encarar a tarefa. ¿Meu nome aparece nas pesquisas em uma posição relativamente boa¿, comenta. ¿Não se trata de um projeto individual ou pessoal, mas estou à disposição do partido.¿
Em meio ao clima de incertezas sobre a manutenção da aliança firmada desde os tempos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, DEM e PSDB tendem a aguardar uma definição mais clara do quadro de candidaturas antes de iniciar os preparativos para a eleição.
KASSAB
No DEM, por exemplo, a movimentação até o momento se concentra principalmente no fortalecimento da pré-candidatura de Kassab à reeleição e na mobilização de possíveis candidatos a vereador. ¿Vamos tentar mostrar ao PSDB a importância de o Gilberto ser reconduzido ao cargo para mais um mandato¿, afirma o deputado Rodrigo Garcia (DEM-SP), que admite a possibilidade de uma candidatura do ex-governador de São Paulo e candidato derrotado à Presidência Geraldo Alckmin. ¿Mas ficou muito claro na convenção realizada pelo nosso partido a importância da Prefeitura de São Paulo para dar mais força ao DEM.¿
Na estratégia do PSDB, o quadro não é muito diferente. ¿Somente depois do carnaval é que vamos nos centrar na discussão da Prefeitura de São Paulo¿, afirma o presidente municipal da legenda, José Henrique Lobo, que aposta na candidatura de Alckmin. ¿A tendência é de que tenhamos uma candidatura própria, principalmente se o governador Alckmin mantiver sua postulação. Mas isso não exclui o diálogo com o DEM, para buscarmos a manutenção dessa coligação.¿
Por enquanto, segundo Lobo, o PSDB começou apenas a debater a estratégia para a disputa por cadeiras na Câmara Municipal. Uma das intenções do partido, segundo ele, é adotar uma espécie de sistema distrital informal. ¿Queremos que nossos candidatos a vereador se inscrevam na própria região onde votam, militam. Vamos incentivar uma espécie de distritalização das candidaturas¿, afirmou.
FRASES
José Américo Presidente do PT-SP
¿Vamos propor uma grande frente, mas trabalharemos preferencialmente com partidos que hoje estão na coalizão do governo Lula. Marta já colocou que é uma pessoa de partido, que não tem projeto pessoal¿
Rodrigo Garcia Deputado do DEM
¿Vamos tentar mostrar ao PSDB a importância de o Gilberto Kassab ser reconduzido ao cargo para mais um mandato¿
José Henrique Lobo Presidente do PSDB-SP
¿A tendência é de que tenhamos candidatura própria, principalmente se Alckmin mantiver sua postulação. Mas isso não exclui o diálogo com o DEM, para buscarmos a manutenção dessa coligação¿
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