Título: Mortos no Quênia 'passam de mil'
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/01/2008, Internacional, p. A12
Número apresentado pelo líder da oposição, Raila Odinga, é o dobro da estimativa feita pelo governo
AP, NYT E REUTERS
Nairóbi - A onda de violência que abala o Quênia desde as eleições presidenciais do dia 27 já causou a morte de mais de mil pessoas, segundo o líder da oposição, Raila Odinga, que contesta o resultado da votação - da qual o presidente Mwai Kibaki saiu vencedor e foi reeleito.
O número é o dobro da estimativa do governo, que ontem elevou para 500 os mortos nos confrontos. Segundo organizações humanitárias e a polícia, o número de vítimas é maior.
¿Temos pelo menos 600 mortos, mas ainda há corpos no campo onde houve muitos confrontos¿, afirmou um chefe da polícia queniana, sob condição de anonimato, à agência de notícias France Press.
Os confrontos entre rivais políticos e étnicos - que arrastaram o país para sua pior crise desde a independência da Grã-Bretanha, em 1963 - também obrigaram mais de 255 mil pessoas a fugir de suas casas por causa da violência (leia mais ao lado).
Derrotado por uma diferença de 2 pontos percentuais, Odinga, do Partido Democrático Laranja, afirma que as eleições foram fraudadas e já disse que não vai negociar com o governo se Kibaki, que propôs um governo de união nacional, não deixar o poder. O presidente é da etnia kikuyu, que é maioria no país, enquanto Odinga pertence ao grupo rival dos luos.
Sob intensa pressão internacional para colaborar para o fim da violência, Odinga suspendeu ontem um grande protesto da oposição que estava marcado para hoje, em Nairóbi, e disse que daria uma chance para a comunidade internacional ajude a resolver a crise. ¿Nós queremos que a mediação ocorra num ambiente pacífico, e por isso os protestos foram cancelados¿, disse o opositor.
Uma série de reuniões com a participação de representantes da União Africana (UA) para pôr fim aos conflitos devem ter início amanhã. Odinga afirmou que o chefe da entidade - o presidente de Gana, John Kufuor - deve chegar ao país hoje à noite.
¿Ele (Kufuor) estará pronto para mediar as conversações na quarta-feira¿, disse Odinga, qualificando o encontro de ¿um avanço importantíssimo¿.
Segundo a BBC, Odinga cancelou a manifestação após se reunir com a a subsecretária de Estado para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, que chegou ao país na sexta.
¿Os quenianos foram enganados por seus líderes e pelas instituições¿, afirmou a diplomata americana. ¿O único modo de restaurar os direitos do povo do Quênia e resgatar sua confiança no sistema são os líderes políticos trabalharem pela paz, porque inocentes estão morrendo.¿
RECONCILIAÇÃO
No fim da tarde, o presidente Kibabi convidou Odinga e vários líderes tribais e religiosos para uma reunião na sexta-feira para obter uma ¿reconciliação nacional¿ e pôr fim à violência.
O presidente também convocou para o dia 15 uma nova reunião do Parlamento, que é liderado pelo Movimento Democrático Laranja, o partido de Odinga. Eles teriam 111 das 220 cadeiras da Assembléia.
A Organização dos Advogados do Quênia fez ontem um apelo para que Kibaki deixe a presidência, dizendo que a eleição ¿não foi crível¿ e o anúncio de que ele fora o vencedor era ¿inaceitável¿.
Links Patrocinados Estadao.com.br | O Estado de S.Paulo | Jornal da Tarde | Agência Estado | Radio Eldorado | Listas OESP Copyright © Grupo Estado. Todos os direitos reservados.