Título: Indústria já estuda medidas para evitar prejuízos de 2001
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/01/2008, Economia, p. B6
Entidade vai se reunir com ONS para conhecer a real situação do sistema
Os grandes consumidores de energia elétrica já estudam um conjunto de medidas para aliviar o estrago de um possível racionamento este ano. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais (Abrace), Eduardo Spalding, a entidade deverá se reunir amanhã com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para conhecer a real situação do setor.
O objetivo é evitar os prejuízos que as empresas tiveram em 2001, quando foram obrigadas a reduzir de forma significativa o consumo de energia, diz ele. ¿Além disso, se houver um programa de racionamento, queremos participar da formatação.¿ Spalding lembra de uma regra usada em 2001 que, se necessário, poderia ser adotada agora. Trata-se de um certificado que permitia a algumas empresas reduzir mais o consumo e repassar para outra a fatia economizada.
O sócio da comercializadora Comerc Energia, Marcelo Parodi, afirma que as empresas estão preocupadas com o rumo do setor nas últimas semanas. A escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas causou a alta no preço da energia vendida no mercado à vista e deixou muitos consumidores em situação delicada.
Segundo ele, o contrato de várias companhias venceu no fim de 2007 ou vence nos próximos meses. Para ter energia, elas estão tendo de pagar R$ 475 o megawatt/hora (MWh). Isso se acharem um gerador com eletricidade para vender. Caso contrário, elas têm de ficar expostas à multa da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de mais R$ 475.
¿Isso pode provocar uma onda de inadimplência na CCEE ou incentivar aquelas empresas que ainda têm uma parcela de energia contratada a reduzir a produção, vender a sua energia no mercado à vista e lucrar com o preço elevado.¿
GÁS NATURAL
O presidente da consultoria Andrade & Canellas, João Mello, acredita que uma solução para evitar um possível racionamento está na oferta de gás natural. ¿A discussão agora é quem vai levar o gás: a indústria ou o setor elétrico. É preciso haver um compartilhamento do insumo.¿
No Rio, as indústrias já temem nova falta de gás natural em fevereiro, por causa da prolongada estiagem, que vem reduzindo os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Em carta enviada ao Ministério de Minas e Energia, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) alerta para o risco de repetição dos problemas ocorridos no fim de outubro de 2007, quando algumas empresas tiveram o fornecimento cortado, e pede mais agilidade nos investimentos para ampliar o suprimento de gás.
Segundo cálculos da entidade, cada dia de suspensão no fornecimento de gás resulta em prejuízo de R$ 19,6 milhões para a indústria fluminense.
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