Título: 'Isso vai ser uma paulada na conta de energia do próximo ano'
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/02/2008, Economia, p. B3
Para professor da UFRJ, custo das térmicas será repassado para tarifas
A expansão da geração térmica para poupar a água dos reservatórios e evitar que o País enfrente novo racionamento vai pesar no bolso do consumidor nos próximos reajustes tarifários. Todo o custo das usinas a óleo diesel e combustível que entraram em operação nos últimos meses por determinação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) será rateado entre todos os usuários do sistema, destaca o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adilson de Oliveira.
Segundo ele, o custo de geração dessas usinas pode superar R$ 700 por megawatt/hora (MWh) gerado. ¿Pelo que estamos vendo essas térmicas terão de funcionar durante quase o ano inteiro para que o País não tenha um problema de racionamento. Se as chuvas não recuperarem os reservatórios, serão essas usinas que vão ajudar na geração de energia durante o período seco, que vai até o fim de outubro. Isso vai significar uma paulada na conta de energia do próximo ano.¿
O presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Lindolfo Paixão, reforça a tese de Oliveira. Segundo ele, o funcionamento das usinas térmicas a óleo diesel e combustível vai afetar todos os consumidores, sejam cativos ou livres. Ao acionar essas usinas, diz ele, o preço da energia comercializada no mercado à vista vai às alturas. Isso afeta quem não tem contrato de fornecimento de energia. Várias companhias estão nessa situação, inclusive aquelas que tiveram alta no consumo (acima da quantia estabelecida em contrato) por causa do aumento da produção. Para ter a diferença entre o volume contratado e o consumido, as empresas estão tendo de pagar R$ 475 o MWh. Mas há quem projete que na próxima semana esse valor ultrapasse R$ 500.
¿De qualquer forma, sou favorável ao funcionamento das térmicas. Não podemos esperar que o pior aconteça¿, afirma Paixão. Para ele, ainda é cedo para tomar alguma decisão sobre corte de energia, já que até o fim do mês as chuvas podem se firmar. ¿Uma coisa é falar em redução de consumo, outra é sensibilizar a população para a conservação da eletricidade. Em 2001, se o governo tivesse tomado medidas paliativas não teríamos chegado à gravidade da situação.¿
Oliveira também é a favor de antecipar a adoção de medidas de contenção. Ele diz que, para que o nível dos reservatórios se eleve, terá de chover muito nas próximas semanas no Sudeste. Segundo ele, a previsão do Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS) era que chovesse em janeiro 71% da média histórica. ¿Até ontem tinha chovido 46%. Para compensar, terá de chover 81% até o fim do mês.¿
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