Título: Deputado que pede CPI de obra recebeu de empreiteira
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/2008, Nacional, p. A15

Outros três parlamentares de comissão tiveram doação de construtoras

Quatro dos sete deputados da Comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembléia Legislativa de São Paulo, responsável por analisar concessões de bens e obras do governo paulista, receberam doação de empreiteiras na campanha de 2006. O grupo está encarregado de apurar o encarecimento de 168% - de R$ 10 milhões para R$ 26,8 milhões - da construção da nova ala de gabinetes da Casa.

Sebastião Almeida (PT), Alex Manente (PPS), Analice Fernandes e Roberto Engler (ambos do PSDB) são os membros do colegiado que tiveram seus caixas reforçados na última eleição por contribuições de construtoras - muitas delas com obras em andamento no governo. Compõem a comissão, mas não receberam dinheiro do setor, José Bruno (DEM), Ana Perugini (PT) e Eube Rezeck (PMDB).

Engler foi o que mais recebeu das construtoras: R$ 222 mil de quatro empresas. Depois aparecem Manente (R$ 174 mil de quatro), Analice (R$ 110 mil de três) e Almeida (R$ 36 mil de 16 empreiteiras).

Anteontem, Almeida - candidato em potencial à Prefeitura de Guarulhos - disse que, ao voltar do recesso parlamentar, pedirá a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais irregularidades na obra do Legislativo e a estatal contratada para gerenciar o serviço, a Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS). O petista tomou a decisão depois que o Estado revelou anteontem que o ex-presidente da Assembléia Rodrigo Garcia (DEM) havia recebido doação de R$ 3 mil para a campanha de 2006 de um executivo da empreiteira que fazia a nova ala dos gabinetes, a CVP.

O novo prédio deveria ter sido inaugurado em março de 2007, mas até hoje é um esqueleto sem acabamento. A construtora foi contratada pela CPOS, mas teve a falência requerida no início do ano passado e deixou a obra inacabada. Uma nova empresa está em processo de contratação.

A decisão de Almeida de pedir uma CPI provocou ontem reações na Casa. Um dos deputados que se posicionaram contrariamente à instalação da comissão foi Campos Machado (PTB). ¿Não costumo fazer juízo de valor sobre pessoas que conheço e respeito. Mas uma coisa é certa: nunca se pode pautar a conduta alheia pela própria¿, afirmou.

Ênio Tatto (PT), líder da minoria na Assembléia, puxa o coro dos favoráveis à investigação. ¿Lógico que eu assino esse pedido. Devemos abrir mesmo essa CPI porque temos que dar o exemplo, fazer a lição de casa e investigar essa obra que, até hoje, ninguém consegue explicar o que aconteceu.¿

Para protocolar o requerimento de CPI, Almeida precisa reunir assinatura de 32 dos 94 parlamentares. Há hoje na Casa cinco CPIs em funcionamento e 11 na fila de espera.

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