Título: Consuelo denuncia condições subumanas
Autor: Costas, ruth
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/2008, Internacional, p. A16

Alguns reféns passam os dias acorrentados e muitos estão doentes

AFP e EFE

A ex-deputada colombiana Consuelo González de Perdomo, libertada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na quinta-feira após seis anos de seqüestro, denunciou ontem condições subumanas a que são submetidos alguns reféns do grupo guerrilheiro.

Em entrevista à rádio colombiana Caracol, Consuelo contou que dez policiais e militares, que ficaram no mesmo local de cativeiro que ela, passavam o dia acorrentados. ¿Eles ficavam acorrentados pelos pés e pelo pescoço. A corrente no pescoço eles têm de carregar para todos os lugares. Tomam banho com a corrente, lavam sua roupa e comem com a corrente¿, afirmou a ex-refém. Ainda de acordo com ela, à noite, os guerrilheiros acorrentavam os policiais e militares a um pedaço de madeira ao lado das camas. ¿Difícil imaginar que neste século, neste momento, isso esteja acontecendo. Olhava para eles e pensava como conseguiam resistir. São pessoas que estão seqüestradas há nove ou dez anos, e ainda passam um ano acorrentadas.¿ A ex-deputada afirmou acreditar que o governo de qualquer outro país teria tentado chegar a um acordo humanitário.

Segundo Consuelo, muitos de seus companheiros de cativeiro estavam doentes. ¿O mais grave é que ninguém sabe que doença tem, pois não há a menor possibilidade de ir a um médico e fazer exames.¿ A ex-deputada disse que o único atendimento médico com o qual os reféns podem contar é ¿um guerrilheiro chamado de enfermeiro, que tem comprimidos para dor de estômago ou diarréia¿.

Na entrevista, Consuelo afirmou que ela e outros seqüestrados eram mantidos nas chamadas ¿prisões coletivas¿ , áreas cercadas por arame farpado. Segundo a ex-refém, eles eram constantemente obrigados a mudar de acampamento, andando horas pela selva colombiana, e muitas vezes submetidos a situações de risco. ¿Sentíamos as bombas explodindo a poucos metros de onde estávamos, os helicópteros atirando com suas metralhadoras e nós ali do lado¿, afirmou.

Além do desgaste físico, os reféns viviam sob tensão psicológica. ¿Os guerrilheiros sempre diziam que, se houvesse uma tentativa de resgate, a ordem que eles tinham era para nos matar.¿

¿Fazia ginástica e caminhava todos os dias para manter uma boa forma física¿, afirmou Consuelo. Ela disse que a comida nos acampamentos das Farc era quase sempre a mesma: arroz com ervilha, feijão ou lentilha. ¿Quando havia a possibilidade de caça, podíamos comer carne de animais selvagens.¿

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