Título: Governo da Colômbia rejeita proposta de Caracas
Autor: Costas, Ruth
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/2008, Internacional, p. A18
Bogotá afirma que ¿por nenhum motivo¿ dará às Farc e ao ELN o status de força beligerante e manterá sua luta
O governo da Colômbia afirmou ontem que ¿por nenhum motivo¿ aceita a retirada da qualificação de grupo terrorista das Farc e do ELN e lhes seja concedido o status de força beligerante. Em um comunicado lido pelo secretário de Imprensa da presidência, César Mauricio Velásquez, o governo diz que ¿continuará sua luta até derrotar esses grupos terroristas que receberam as mais generosas ofertas de segurança¿.
Horas antes, Carlos Holguín, ministro do Interior da Colômbia, qualificou de ¿descabida e inaceitável¿ a proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de reconhecer a guerrilha colombiana como força beligerante. ¿A verdade é que é uma proposta totalmente insólita e desproporcional. O governo não pode admitir um pedido dessa natureza¿, disse Holguín.
O ex-presidente da Colômbia Andrés Pastrana disse que a proposta de Chávez era imoral. ¿Para mim, é impossível retirar o rótulo de organização terrorista das Farc enquanto a guerrilha continuar a seqüestrar colombianos¿, disse Pastrana.
José Gaviria, assessor do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, também reagiu com irritação. ¿A guerrilha utiliza a violência contra um governo democrático e contra a população civil. Segundo as leis internacionais, isso faz dela uma organização terrorista¿, disse.
O presidente da Colômbia reconheceu na quinta-feira à noite a eficiência de Chávez no processo de libertação das duas reféns, Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo. ¿Expresso aqui minha gratidão e de todos os colombianos a Hugo Chávez por seu esforço e sua eficácia na libertação de nossas compatriotas seqüestradas¿, afirmou Uribe. No entanto, ele lembrou que a guerrilha ainda tem mais de 700 reféns, entre eles 44 seqüestrados políticos.
RELAÇÃO CONGELADA
A relação bilateral entre Colômbia e Venezuela está congelada desde que Uribe acabou com o papel de Chávez na mediação com os guerrilheiros pela libertação dos reféns, em novembro. Uribe alegou na ocasião um excesso de ingerência do presidente venezuelano nos assuntos internos de seu país.
¿A libertação das reféns foi um presente das Farc para Chávez e não resultado de um acordo da guerrilha com o governo colombiano¿, disse à agência Reuters um diplomata estrangeiro em Bogotá.
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