Título: Telefónica e Telmex têm reivindicações para o governo
Autor: Brandão Junior, Nilson
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/01/2008, Negocios, p. B11

A preparação da compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar) está sendo observada de perto pelos grupos Telefónica, da Espanha, e Telmex/América Móvil, do México, que são hoje os dois principais jogadores no mercado brasileiro de telecomunicações. A interpretação até agora é de que o processo tem mais incertezas do que aparenta e que existe a possibilidade conseguirem mudanças de regras favoráveis ao seus interesses nesse movimento.

A principal, e mais difícil, seria a participação dos grupos internacionais no processo de consolidação. O governo tem justificado seu apoio ao negócio com um discurso nacionalista, de criação de uma grande operadora brasileira para contrabalançar a presença dos mexicanos e dos espanhóis.

Fora isso, existem outras pendências regulatórias que os dois grupos têm interesse em resolver. O contrato de concessão da Telefónica proíbe que ela assuma o controle da TVA, onde tem participação, no Estado de São Paulo, sua área de concessão. Ela também não pode ter o controle da TIM, da qual é acionista, por causa dos 50% que detém na Vivo. A Embratel, que pertence à Telmex, é minoritária na Net por causa do limite ao capital estrangeiro no setor de TV a cabo.

Segundo um analista, os dois grupos devem se opor às mudança necessária no Plano Geral de Outorgas (PGO). Além disso, o mercado espera que os grupos busquem novas oportunidades de aquisição no País. Um alvo potencial, segundo um analista, seria a GVT, concorrente da Brasil Telecom.

No ano passado, quando veio a público uma proposta de fusão entre Oi e Brasil Telecom, a Telefônica chegou a defender que houvesse tratamento isonômico. Ou seja, a empresa está disposta a adquirir outra operadora fixa. O grupo espanhol disputa com o bilionário Carlos Slim Helú, do grupo Telmex/América Móvil, o controle do mercado latino-americano de telecomunicações.

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