Título: Sem chuvas, disputa por gás natural é inevitável, diz especialista
Autor: Lu Aiko Otta
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/01/2008, Economia, p. B4

Os próximos 15 dias serão cruciais para o setor energético brasileiro, às voltas com uma crise de abastecimento provocada pela estiagem prolongada. A opinião é de uma graduada fonte do setor elétrico, que teve papel importante no racionamento de energia de 2001. Caso as chuvas insistam em não cair, diz o executivo, o Brasil pode se preparar para uma disputa por gás natural, já que o sistema elétrico não poderá prescindir das térmicas hoje paradas por falta do combustível.

A opinião é compartilhada por vários especialistas do setor. Desde dezembro, a Petrobrás vem destinando todo o gás disponível para suas usinas e, mesmo assim, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas das Regiões Sul e Sudeste não param de cair. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já vem usando também usinas a óleo, o que vai acrescentar mais 800 megawatts (MW) ao sistema em breve, segundo anunciou esta semana o governo. ¿É pouco. Ou chove ou precisaremos de mais 4 mil MW, pelo menos¿, diz o especialista.

O ONS vem acionando de 4 mil MW a 4,5 mil MW em térmicas convencionais - a gás, carvão ou óleo - nas últimas semanas, o equivalente a 8% da energia gerada no País, com o objetivo de poupar água nos reservatórios. Mesmo assim, o nível das barragens no Sudeste e Centro-Oeste vem caindo a 0,1 ponto porcentual por dia.

¿Deveríamos aprender com os erros cometidos pelo governo anterior antes do racionamento¿, afirma o consultor David Zylbersztajn, um dos autores do programa de redução do consumo de energia em 2001. ¿O problema é dizer que não há risco. A probabilidade de racionamento é pequena, mas aceitar o risco ajuda a construir alternativas.¿ Para ele, deveria haver estímulos para controlar a demanda, como incentivos ao consumo racional de energia.

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