Título: PSDB e PT suspendem ajuda para candidatos
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/01/2008, Nacional, p. A7
Endividados, partidos dizem que quem disputar campanhas municipais deve se virar sozinho
Adversários políticos, o PT e o PSDB têm algo em comum: se depender dos tesoureiros dos dois partidos, nenhum candidato a prefeito nas eleições municipais de 5 de outubro terá ajuda da direção nacional para arrecadar recursos às campanhas eleitorais. A ordem na cúpula tucana e petista é deixar à míngua os candidatos, aí incluídos os 17 deputados federais petistas e dez tucanos que pretendem disputar uma cadeira de prefeito.
Levantamento preliminar feito pelo Estado aponta que 109 deputados federais e três senadores são pré-candidatos.
A decisão do PT e do PSDB de deixar ao relento seus candidatos tem um motivo: ambos os partidos são titulares de dívidas polpudas, fruto de campanhas eleitorais anteriores.
O PT sai na frente com uma dívida de R$ 39 milhões registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no final do ano passado. Por isso, argumenta o tesoureiro do partido, Paulo Ferreira, que assumiu a contabilidade petista pós-escândalo do mensalão, os candidatos terão de se virar sozinhos, sem a ajuda da direção da legenda.
Com uma dívida acima dos R$ 10 milhões, segundo o tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, os candidatos tucanos também não vão receber ajuda financeira da direção do partido. ¿O PSDB nacional não vai ajudar ninguém na captação de recursos. Os candidatos que se arranjem para ver o que conseguem¿, diz Marcio Fortes.
¿O partido não vai se endividar¿, sentencia Paulo Ferreira. ¿Nesta eleição, gastaremos o que tivermos¿, completa o petista. Segundo ele, a maior parte da dívida do PT - cerca de R$ 25 milhões - é fruto de gastos excessivos do partido com a confecção de material distribuído aos candidatos na campanha municipal de 2004. Já no PSDB, de acordo com Marcio Fortes, a maior parcela da dívida vem das eleições gerais de 2006. Daqui a dez dias, o Diretório Nacional do PT vai se reunir para definir os gastos e as diretrizes.
Já os candidatos do DEM, que tem 11 deputados federais pré-candidatos nas eleições de outubro, tiveram mais sorte. Segundo o tesoureiro da sigla, Saulo Queiroz, a cúpula do partido quer ajudar na arrecadação de recursos para seus candidatos nas eleições de 5 de outubro.
O DEM está confiante de que conseguirá doações para as campanhas porque teve uma participação decisiva na derrota da prorrogação da CPMF.