Título: Número de mortes por febre amarela já é igual ao de 2007
Autor: Formenti, Ligia
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/01/2008, Vida&, p. A16
Em 15 dias, casos fatais se igualam aos do ano passado; Ministério confirmou mais 3 óbitos
O Ministério da Saúde confirmou ontem a morte de mais três pessoas por febre amarela. Agora já são seis os casos confirmados da doença no País, sendo cinco óbitos. Uma paciente segue internada no Hospital São Luiz, em São Paulo. Com o resultado de ontem, o registro acumulado ao longo da primeira quinzena de janeiro já é igual ao que havia sido confirmado durante todo o ano de 2007.
Mais informações sobre febre amarela
As mortes confirmadas ontem são as do espanhol Salvador Peres de la Cal, de 41 anos; Maria Geraldina Siqueira, de 63 anos; e Almir Rodrigues da Cunha, de 47 anos. Até agora, laudos laboratoriais descartaram a infecção de seis pacientes. Permanecem em investigação 15 casos (em três deles, os pacientes já morreram) , dos quais 12 têm como provável local de infecção o Estado de Goiás. Nos outros três, os prováveis locais são Pará, Minas Gerais e Rondônia.
O empresário Almir Rodrigues da Cunha, que morava em Maringá, morreu no dia 8. Ele havia passado os feriados do fim de ano em Caldas Novas (GO). O espanhol Salvador Perez e Maria Geraldina também teriam sido contaminados naquele Estado. Nenhum deles era vacinado contra a doença. Em 52 dos 246 municípios de Goiás, foram encontrados macacos mortos pela febre amarela. Os animais são hospedeiros do vírus da febre, o que provoca casos silvestres da doença.
O espanhol Salvador Peres de la Cal, morto no dia 12, teria sido contaminado em uma fazenda em Cristianópolis, a 103 km de Goiânia. Ele chegou ao País no dia 25 de novembro, passou por Salvador e, em dezembro, chegou a Goiás. Maria Geraldina Siqueira, de Mogi das Cruzes (SP), também teria sido contaminada em uma viagem feita no fim de ano para Goiás. Ela morreu no dia 9. A confirmação foi dada por exames de sorologia, no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).
Os outros dois casos fatais antes confirmados são o de um rapaz de 24 anos - morto no dia 2, após seis dias internado no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Goiânia - e o do administrador de empresas Graco Abubakir, de 38 anos, que morreu em Brasília no dia 7.
LETALIDADE
Os casos registrados até o momento comprovam a alta letalidade da febre amarela. No ano passado, o número de mortes foi o mesmo: de seis infecções, cinco óbitos. Quando o País registrou um surto da doença, em 2000, a taxa de mortalidade era menor: dos 85 casos, 40 morreram.
Para o gerente de Vigilância em Saúde e Atenção às Enfermidades da Organização Pan-Americana de Saúde, Jarbas Barbosa, o aumento da taxa de mortalidade, no ano passado, não significa que o atendimento tenha piorado. ¿Num grupo de pequenas dimensões como esse, tal comparação não pode ser feita¿, observa.
`NÃO DÓI¿
Em visita a Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ontem que não há risco de epidemia de febre amarela no País. ¿Temos um caso de febre amarela silvestre. Não há perigo de febre amarela urbana.¿ O presidente ainda não sabia que o número de casos confirmados havia subido para seis. ¿O importante é o seguinte: cada vez que viajo para um país que tem problema, tomo a vacina, por precaução. Acho que as pessoas precisam se precaver e tomar a vacina, que não dói, não dá febre e pode salvar uma vida.¿
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que o acompanha na viagem, afirmou: ¿Enquanto o Brasil tiver mata, macaco, mosquito e vírus, você vai ter a forma silvestre circulando.¿ No domingo, ele fez um pronunciamento em rede de rádio e TV, com o objetivo de tentar conter a crescente corrida da população para se vacinar contra a febre amarela. COLABOROU VERA ROSA
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