Título: Justiça apura ligação de escola e PCC
Autor: Nunomura, Eduardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/01/2008, Metrópole, p. C6
Império da Casa Verde teve membros acusados de tráfico
Eduardo Nunomura
Um processo que corre em segredo de Justiça investiga a ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a escola de samba Império da Casa Verde. Em dezembro de 2006, diretores e integrantes da agremiação foram presos sob a acusação de arrecadarem dinheiro de traficantes da zona norte. A diretoria nega qualquer relação com a facção.
No ano passado, quando seu nome ainda estava associado ao caso, a Império ficou em 5º lugar. O caso é tabu no mundo do samba e dirigentes de outras escolas ouvidas pelo Estado acreditam na inocência da Império. Afirmam que não se pode julgar o coletivo por causa de alguns membros.
Com passagens pela Imperador do Ipiranga, Nenê da Vila Matilde e agora na Império da Casa Verde, o carioca André Machado, da comissão de carnaval, se sente como pinto no lixo. Na sua primeira escola, vivia de reciclar materiais de outros carnavais e escolas, debaixo de um viaduto. Hoje, na rica Império, pede um material de manhã e já o recebe à tarde. Daí sua constatação: ¿As comunidades estão se afastando do carnaval. As escolas migram para o luxo e os componentes não têm como bancar as fantasias.¿
Na Nenê, Machado se cansou de ver pessoas que ensaiavam o ano todo e na véspera do desfile vendiam a fantasia. Desastre inevitável. Gente cantando na arquibancada e a escola fria na passarela.
Outro problema é que para ter dinheiro as escolas paulistanas aceitam imposições externas. ¿O samba hoje está só atrelado aos interesses do patrocinador ou de sei lá o quê¿, diz Oswaldinho da Cuíca, que teve este ano um samba-enredo preterido na Vai-Vai. Atribuiu sua derrota a ¿forças ocultas¿, que ele não diz quais são. ¿Quando uma fantasia é vendida num shopping, a escola está vendendo até a mãe ao diabo.¿
Historiador do samba, Oswaldinho da Cuíca afirma que os carnavais de Rio e São Paulo têm origens distintas, mas o segundo segue copiando o primeiro: coreografias, luxo, Sambódromos e agora Cidade do Samba lá que aqui virou o projeto Fábrica dos Sonhos, encampado pelo prefeito Gilberto Kassab. E as más influências? ¿É como o câncer, primeiro se faz vista grossa, ele toma conta e depois não tem mais como voltar atrás¿, alertou.
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