Título: Para Fazenda, bens de capital indicam crescimento sustentável
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/02/2008, Economia, p. B4

O forte crescimento da produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) em 2007, para atender à demanda por novos investimentos, dá sustentabilidade ao crescimento da indústria neste ano sem ameaças à inflação. A avaliação é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.

Appy disse ao Estado que os dados divulgados ontem pelo IBGE sobre a produção industrial em 2007 mostram um quadro muito favorável para o crescimento da economia brasileira ao longo deste ano.

Segundo ele, há espaço para a capacidade instalada da indústria se expandir sem causar distorções na economia. ¿O crescimento de 19,5% (na produção de bens de capital) foi mais de três vezes a expansão da indústria e sinaliza que a ampliação da capacidade dá sustentabilidade ao ritmo de crescimento¿, destacou. Para o secretário, o crescimento da indústria no ano passado, de 6%, foi distribuído por todos os setores.

Diferentemente de analistas do mercado, que ficaram preocupados com o resultado em razão do seu impacto na política de juros do Banco Central (BC), Appy afirmou que não vê risco de o crescimento industrial causar pressões inflacionárias. ¿Não creio, os indicadores da produção industrial são bastante balanceados¿, disse Appy.

O secretário avaliou que já era esperada para dezembro passado uma desaceleração da produção industrial. Na sua avaliação, essa desaceleração - de 0,6%, ante novembro - reflete uma ¿acomodação natural¿ por causa do resultado extremamente elevado registrado em outubro (alta de 3,3%). ¿Outubro foi um ponto fora da curva. Era natural que houvesse a acomodação em novembro e dezembro¿, afirmou o secretário.

Ele destacou que a acomodação não representa uma mudança na tendência de crescimento da produção industrial. ¿A tendência é de uma recuperação do crescimento na margem¿, disse.

Appy acrescentou que não vê risco de a indústria não conseguir atender à demanda crescente puxada pelo consumo interno. Ele destacou que o nível de utilização da capacidade instalada, de 83%, divulgado anteontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra uma estabilização no mês de dezembro de 2007, em relação a novembro, quando o nível foi de 83,1%, o maior da série estatística da entidade.

¿A perspectiva é de que a indústria tenha capacidade de atender à demanda crescente sem problemas', concluiu.

Alguns especialistas apontaram como preocupante, no entanto, o fato de a produção industrial ter apresentado taxa negativa na margem (um mês ante o outro) pelo segundo mês consecutivo e, ainda assim, a utilização da capacidade instalada ter se mantido num patamar recorde.

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