Título: Lula pedirá sacrifício à equipe
Autor: Vera Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/01/2008, Nacional, p. A6

Apesar de ajuste, presidente quer mais viagens e obras

Na primeira reunião ministerial do ano, marcada para hoje no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá à equipe esforço e sacrifício. Após a derrubada da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que provocou rombo de R$ 40 bilhões no Orçamento, Lula cobrará empenho dos ministros na sustentação política do governo. Dirá, ainda, que viajará muito mais neste ano eleitoral, porque quer transformar o País num canteiro de obras.

Ele avisará, porém, que haverá mais cortes em todos os ministérios porque é preciso economizar para compensar a perda da CPMF. ¿O problema politicamente é espinhoso, mas aritmeticamente é muito simples: estamos tendo que refazer todo o Orçamento e não dá para cortar com facão. Temos de usar o bisturi¿, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Apesar da cobrança e dos pedidos de sacrifício, Lula fará um balanço positivo das ações do governo e do momento vivido pelo País. Diante do pânico nos mercados financeiros causado pela crise nos Estados Unidos, ele escalou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para explicar aos colegas que não haverá risco de recessão no Brasil.

¿Estamos incólumes¿, disse Mantega ontem, ao participar da cerimônia de balanço do primeiro ano do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). ¿Não há nada, a meu ver, que influencie no crescimento do Brasil neste ano.¿

Na seara política, Lula pedirá papel mais ativo dos auxiliares na defesa dos interesses do governo entre os 14 partidos aliados. No momento em que o PMDB e o PT disputam cargos em empresas do setor elétrico, o presidente destacará que a tarefa de conciliação cabe a todos os ministros, e não apenas à articulação política. ¿Precisamos afinar a viola. Todos são esforçados, mas necessitamos trocar mais informações¿, admitiu o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Lula estenderá à equipe o pedido feito no mês passado a Márcio Fortes (Cidades): quer uma agenda de viagens para cidades com obras já iniciadas do PAC. ¿A ordem do presidente é pé na estrada¿, resumiu Fortes. Por causa do ano eleitoral, Estados e municípios só poderão contratar obras até 30 de junho.

O presidente irá a São Paulo no fim do mês, para dar impulso às obras do PAC na área de saneamento e urbanização. Ele visitará o Jardim São Francisco, na zona leste, onde será construído um conjunto habitacional para 6.500 famílias - um investimento de R$ 114 milhões. Depois, deve assinar atos referentes à despoluição das Represas Billings e Guarapiranga. COLABOROU LU AIKO OTTA