Título: Petrobrás ajuda reação da Bovespa
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/01/2008, Economia, p. B4

Índice da Bolsa paulista fechou o dia com alta de 4,45%, a maior em 4 meses, puxado pelas ações da estatal

Depois do pânico de segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) resolveu dar uma trégua e fechou o pregão de ontem com a maior alta desde 18 de setembro do ano passado. Subiu 4,45%, para 56.097 pontos. Mas, na máxima do dia, chegou a valorizar 5,28%, apesar do mau humor de Wall Street, que passou o dia em terreno negativo. O Dow Jones caiu 1,06% e o Nasdaq, 2,04%. No ano, a Bolsa paulista ainda acumula queda de 12,19%.

Além da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que reduziu a taxa de juros em 0,75 ponto porcentual, em reunião extraordinária, a Bovespa contou com fatores internos para turbinar seus ganhos ontem.

O principal fator foi a descoberta da Petrobrás de uma reserva de gás natural abaixo da camada de sal na Bacia de Santos. A notícia caiu como uma luva no mercado financeiro, que já estava um pouco aliviado com a decisão do Fed.

Com isso, as ações ordinárias (ON) da Petrobrás fecharam em alta de 10,68% e as preferenciais (PN), de 9,52%. Analistas lembram que os papéis têm o maior peso no Índice da Bovespa (Ibovespa). As PNs representam 12,164% do índice e as ONs, 2,169%. Por isso, elas sustentaram boa parte da alta da Bovespa.

¿Mas temos de reconhecer que, se o Fed não tivesse reduzido os juros e dado alguma sinalização para o mercado, a descoberta da Petrobrás teria pouco impacto e as ações não teria tido tanto fôlego para subir¿, explica o analista da Win, home broker da Alpes Corretora, Fausto Gouveia. Mesmo com a recuperação de ontem, os papéis da Petrobrás continuam com prejuízo neste início de ano. As ONs acumulam perda de 16,88% e as PNs, de 17,13%, em 22 dias de pregão.

As ações preferenciais e ordinárias da Vale, que respondem por 11,705% e 2,914% do Ibovespa, respectivamente, renderam 4,93% e 4,28%. Gouveia destaca que apenas cinco papéis do índice fecharam o pregão em queda: Acesita (1,04%), Cosan (0,36%), Cyrela Commercial Properties (2,12%), Natura (3,44%) e Net (1,62%).

¿As siderúrgicas tiveram um ótimo desempenho, já que elas refletem diretamente a queda dos juros americanos. Quanto menor as taxas, maior a possibilidade de aumento de consumo, como eletrodomésticos e veículos, que utilizam matéria-prima do setor¿, explica o analista.

Além de Petrobrás, outros destaques foram as preferenciais da Gerdau, com alta de 9,09%, e as ordinárias da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com 10,80%. Ambas têm participação de 2,5% e 2,43%, respectivamente, no Ibovespa.

Apesar da euforia refletida na alta das ações, os analistas não ousam afirmar que o pior já passou. ¿Uma crise dessa magnitude não se estanca assim, de uma hora para outra¿, diz o gestor da Máxima Asset Management, Fabio Cardoso. Na avaliação dele, a decisão do Fed pesou no comportamento do mercado, mas a expectativa é de que a turbulência permaneça durante todo o primeiro trimestre. ¿Não acredito que avance até o segundo trimestre¿, diz ele.

Gouveia, da Win, tem opinião contrária. Embora considere difícil fazer um prognóstico sobre a crise, ele avalia que será difícil sair dessa volatilidade no curto prazo. Isso significa que o primeiro semestre será cheio de oscilações. Na opinião dele, o corte dos juros pelo Fed ajudou bastante, mas sozinho não é suficiente para aliviar a tensão dos investidores.

¿O governo americano já sinalizou que pode aumentar o volume de recursos, como anunciado na semana passada (de cerca de US$ 150 bilhões), para conter uma recessão maior. Além disso, acreditamos que o Fed vai promover outras reduções na taxa de juros em breve¿, afirma o analista.