Título: 'Crise é mais uma razão para concluir Doha'
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/01/2008, Economia, p. B12
Para Celso Amorim, sinais de recessão nos EUA devem evitar que se repita o erro de 1929, que produziu uma guinada protecionista mundial
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ontem que os sinais de recessão nos Estados Unidos acendem uma luz amarela sobre a possível repetição de um dos mais graves erros da história econômica do século 20 - a guinada protecionista provocada pela crise de 1929, que ¿acabou gerando prejuízos para o mundo todo¿. Por isso, Amorim vai defender, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, a existência de uma razão a mais para a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) no mais curto prazo possível.
A expectativa do ministro é que, até o feriado de Páscoa, em 23 de março, os membros da OMC concluam os acordos básicos sobre agricultura e indústria e serviços. ¿Como esse quadro recessivo ainda não se materializou totalmente, essa é mais uma razão para tentarmos concluir a Rodada o quanto antes¿, disse ao Estado.
Na sexta-feira, Amorim vai se encontrar em Davos com a representante dos Estados Unidos para o Comércio, Susan Schwab, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, o ministro britânico do Comércio, David Milliband, e o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy. No dia seguinte, participará de duas sessões de debates do Fórum Econômico Mundial - uma sobre a revitalização de Doha e a outra sobre o futuro do sistema multilateral de comércio.
Essas conversas se darão em um momento nevrálgico das negociações - a duas semanas da conclusão de reuniões técnicas, em Genebra, e a uma semana da divulgação das propostas de acordo para os capítulos agrícola e de indústria e serviços pelos presidentes dos grupos de negociação da OMC.
Esses papéis deverão nortear as negociações finais dos tópicos mais importantes da Rodada - o corte e as disciplinas para os subsídios domésticos, o acesso ao mercado agrícola dos países desenvolvidos e a abertura do setor industrial dos países em desenvolvimento.
Fontes do Itamaraty acreditam que, em Davos, deverão ser discutidos os procedimentos a serem adotados, a partir da apresentação das novas propostas de acordo. Em princípio, o pequeno grupo formado por Amorim, Schwab, Mandelson e Lamy deverá optar pela discussão dos textos nos grupos de negociação, que envolveriam todos os países da OMC, ou pelo tratamento prévio no grupo que reúne cerca de 30 países.