Título: Perda da Bovespa no ano chega a 16%
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/01/2008, Economia, p. B3
Principal índice da bolsa paulista caiu 6,60% ontem, maior queda desde 27 de fevereiro do ano passado
A onda de pânico que tomou conta do mercado financeiro global ontem engoliu também a Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa, principal indicador da Bolsa, despencou 6,6%, maior queda desde 27 de fevereiro de 2007. Neste ano, as perdas chegam a 15,93%. Nas contas da empresa de informações financeiras Economática, o valor somado das companhias com ações na Bovespa caiu R$ 344,9 bilhões.
Segundo Marco Aurélio Barbosa, analista-chefe da corretora Coinvalores, os estrangeiros continuaram vendendo papéis brasileiros. ¿Esses investidores contribuíram decisivamente para a alta da Bovespa nos últimos anos¿, observou. ¿Agora ocorre o inverso: como fogem em busca de segurança, aprofundam a baixa por aqui.¿ Até quinta-feira, o saldo de investimento externo no ano na bolsa brasileira estava negativo em R$ 3,53 bilhões.
Barbosa disse que clientes brasileiros estão assustados. ¿Explicamos que sair agora é realizar o prejuízo.¿ Os conselhos do especialista variam de acordo com o prazo em que o investidor está disposto a manter a aplicação. ¿Quem pensa no curto prazo deve vender agora, pois pode perder mais lá na frente¿, disse. ¿Quem visa ao longo prazo deve ficar.¿
A economista-chefe do Banco Fibra, Maristela Ansanelli, explicou que três fatores determinaram a forte queda da Bovespa ontem. O primeiro foi a baixa liquidez no mercado global, por causa do feriado nos Estados Unidos. ¿Com menos dinheiro circulando, os movimentos tendem a ser mais agudos.¿
O segundo foi a queda das cotações das commodities, como o petróleo. Brasil e América Latina são grandes exportadores de produtos como minério de ferro, soja e cobre. De acordo com ela, esse recuo ocorreu por causa das dúvidas em relação à economia chinesa. ¿Começa-se a questionar até que ponto a desaceleração dos EUA influenciará a economia chinesa.¿
Como a China é a grande compradora de commodities da América Latina, dúvidas em relação ao desempenho econômico do país acabam se refletindo nas cotações dos produtos.
Um terceiro fator que preocupou os investidores ontem foi o temor em relação a seguradoras especializadas em bônus. Essas empresas têm perdido muito dinheiro com a crise das hipotecas de alto risco (subprime) dos Estados Unidos.
A agência de classificação de risco Fitch, por exemplo, reduziu a nota da Ambac, companhia que atua no segmento. Sexta-feira, a seguradora desistiu de uma captação, dois dias após anunciar um plano para aumentar o capital com a emissão de US$ 1 bilhão e de cortar os dividendos dos acionistas.