Título: Estamos preparados, insiste Meirelles
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/01/2008, Economia, p. B6

Diante da forte piora dos mercados internacionais ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse ter apenas uma mensagem para transmitir: ¿Estamos preparados¿. O recado, no dia em que o pânico tomou conta dos investidores, foi acompanhado de uma reafirmação do compromisso com os pilares da política econômica: responsabilidade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante.

Meirelles deu especial ênfase ao último item do tripé econômico, exatamente no dia em que o dólar rompeu a casa dos R$ 1,80 e subiu 2,52%. Segundo ele, o câmbio flutuante é o melhor regime para enfrentar turbulências econômicas, como a atual. ¿Se a história nos ensina algo, é que o mercado tem sido mais competente na administração da taxa de câmbio do que os economistas oficiais¿, afirmou, após classificar de ¿decepcionante¿ o resultado econômico dos diferentes períodos de câmbio administrado no País.

O presidente do BC usou o discurso feito na posse da nova diretora da área externa do BC, Maria Celina Berardinelli, para comentar a crise. Ele lembrou que a deterioração do quadro externo já era prevista nos relatórios de inflação do BC, mas disse que a autoridade monetária continua com sua estratégia de monitorar os mercados e, se julgar necessário, agirá. ¿O BC sempre que necessário tomará medidas, mas medidas preventivas para evitar problemas futuros.¿ Meirelles destacou que o País hoje está muito mais preparado para enfrentar as turbulências por conta da melhora nos indicadores de sustentabilidade externa do País, como a relação dívida externa líquida/exportações e o fato de ser credor em moeda estrangeira. A melhoria dos indicadores, disse, ocorreu no período de câmbio flutuante, iniciado em 1999.

Dessa forma, ao contrário de anos como 2002 e 2003, uma alta no dólar não leva a uma forte elevação da dívida pública e uma piora na percepção de risco. ¿Esse ciclo não é mais válido, porque somos credores externos¿, disse destacando que a menor vulnerabilidade externa tem deixado o País mais próximo do chamado grau de investimento. ¿Não temos a ilusão de que o Brasil está totalmente imune, mas cremos que estamos melhor preparados.¿