Título: Mantega já admite queda no saldo da balança comercial
Autor: Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/01/2008, Economia, p. B6
Mas, segundo o ministro, mesmo caindo, o superávit continuará `bastante positivo¿ em 2008
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que o comércio exterior do Brasil poderá ser afetado pela crise internacional. Segundo ele, as exportações brasileiras terão perdas, caso se confirme um quadro de recessão na economia americana com influência no preço internacional das commodities.
¿Se houver alguma retração internacional, o que não está confirmado, poderemos ter uma queda nos preços das commodities brasileiras e, portanto, uma queda no nosso saldo da balança comercial¿, disse Mantega. Ele ponderou, no entanto, que, mesmo caindo, o superávit continuará ¿bastante positivo¿ em 2008.
Apesar de ter avaliado o dia de ontem como ¿quase de pânico¿ nos mercados internacionais, o ministro afirmou que a economia brasileira nunca esteve tão preparada para enfrentar a crise. Ele destacou que, por enquanto, não há necessidade de o governo tomar alguma medida. ¿É como se nos últimos quatro, cinco anos nós estivéssemos nos preparando para enfrentar alguma turbulência externa, de modo que esta turbulência possa não nos atingir ou nos atinja com pouco resultado¿, disse.
Com discurso otimista, Mantega disse que a economia brasileira continua dando sinais de vitalidade, com os investimentos crescendo e a demanda aquecida. ¿É possível que o Brasil consiga passar por essa crise sem maiores conseqüências.¿
O ministro afirmou que os mercados estão nervosos, respondendo a uma frustração com o pacote de ajuda do governo americano. Mas ponderou que não se pode tomar um dia pelo todo. ¿Hoje é um dia de quase pânico, porque as bolsas caíram muito no mundo todo e isso traz um contágio. Mas isso não quer dizer que será assim amanhã ou depois de amanhã.¿
CORTE MENOR
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), alertou que é preciso união, nesse momento, para que o Brasil afaste qualquer desconfiança dos investidores na solidez da sua economia. Apesar do aviso, ele antecipou que o corte nas despesas do Orçamento da União deste ano para compensar parte da perda de arrecadação com o fim da CPMF será de R$ 19 bilhões, e não de R$ 20 bilhões, como inicialmente divulgado.
Segundo Jucá, o corte será menor porque o governo recalculou as receitas e observou que terá R$ 1 bilhão a mais. Para compensar os R$ 40 bilhões que deixam de ser arrecadados com o fim da CPMF, o governo estima ainda que terá mais R$ 21 bilhões com o aumento da arrecadação via crescimento da economia e da alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos.