Título: Negociação com UE vai demorar
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2008, Economia, p. B6

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse ontem que as discussões sobre o embargo europeu à carne brasileira podem durar mais de quatro meses. Segundo o ministro, será preciso negociar o aumento do número de propriedades admitido pelos europeus para exportar carne para aquele mercado. ¿Do jeito que está, com 300 propriedades, não é possível encher um contêiner para exportar. Precisamos de 3 mil a 5 mil propriedades¿, afirmou, depois de participar de reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Stephanes explicou que o governo terá de discutir como será o processo de agregação de novas propriedades à lista. Ele lembrou que os europeus não questionam a sanidade, mas a rastreabilidade do rebanho brasileiro. Segundo o ministro, o erro do Brasil foi aceitar as mesmas regras aplicadas na Europa. ¿Elas foram criadas por causa do mal da vaca louca, doença que nós não temos.¿ Na quinta-feira, o governo deve apresentar aos europeus uma lista com as propriedades que se enquadram nas regras. A relação será menor do que as 2.681 fazendas relacionadas numa primeira lista, que foi rejeitada pela União Européia.

O embargo à carne brasileira e os motivos do veto provocaram um racha entre os pecuaristas do País. Enquanto as secretarias de Agricultura de Minas Gerais e do Espírito Santo aceitaram reduzir o número de fazendas habilitadas, a secretaria de Agricultura de Goiás manteve posição firme e disse que a ¿escolha¿ das fazendas deve ser do governo federal. ¿Ou vai todo mundo ou não vai ninguém¿, disse o secretário de Agricultura de Goiás, Leonardo Veloso. A lista enviada pelo governo de Goiás ao ministério traz 778 propriedades. Dessas, o ministério informou que apenas 88 cumprem as determinações da UE, irritando os pecuaristas locais.

Ontem, último dia para entrega das listas elaboradas pelos seis Estados que compõem a área habilitada para exportar carne para o bloco, a certeza era de que a lista que será entregue pelo secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, às autoridades européias, indicará um número de fazendas superior às 300 propriedades pedidas pelos europeus. O total também deve superar as 600 fazendas estimadas na semana passada por Stephanes.

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