Título: Importação de trigo pode ter cota e prazo maiores
Autor: Marin, Denise Chrispim
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2008, Economia, p. B6

Segundo a Camex, medida poderá ser adotada se houver problemas de abastecimento do produto

Denise Chrispim Marin

O governo poderá aumentar a cota de importação de trigo e estender o seu prazo de vigência, caso haja problemas de abastecimento do produto. Na semana passada, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) autorizou a importação de uma cota de até 1 milhão de toneladas de países de fora do Mercosul, com tarifa zero, por considerar insuficiente a decisão da Argentina de reativar parte das exportações de trigo ao Brasil. A isenção tarifária vai até 30 de junho.

Nas contas da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o Brasil precisaria de uma cota de 4 milhões para suprir a demanda brasileira no atual período de entressafra. ¿Eventualmente, se houver problema de abastecimento de trigo, a Camex pode estender a cota ou aumentá-la¿, declarou ontem a secretária-executiva da Câmara, Lytha Spíndola, referindo-se às incertezas sobre a próxima safra de trigo no País.

O assunto será um dos temas da agenda da Comissão de Monitoramento do Comércio Brasil-Argentina, que se reúne amanhã, em Buenos Aires. O comércio entre os dois países tem aumentado. Segundo estimativas do governo, o intercâmbio bilateral deve alcançar US$ 30 bilhões neste ano, 21% a mais do que em 2007.

No caso do trigo, porém, a cúpula do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior promete engrossar o tom nas discussões. ¿O Brasil dá prioridade e prefere importar o trigo da Argentina. Mas a instabilidade no fornecimento levou o governo a adotar esaa cota regulatória¿, disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. ¿Reivindicamos que a Argentina mantenha um processo contínuo e regular de registro e de embarque de trigo ao Brasil¿, afirmou o secretário-executivo do ministério, Ivan Ramalho.

O próprio governo argentino havia pedido a inclusão desse tema na pauta da comissão, antes da advertência sobre a possível ampliação da cota, temendo perder parcelas do mercado brasileiro para produtores dos Estados Unidos e do Canadá.

Criada há dois anos, a Comissão de Monitoramento terá uma reunião diferenciada amanhã. Seu principal objetivo será limar essa e outras cinco pendências que podem conturbar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Argentina, no próximo dia 22, e azedar seu primeiro encontro bilateral com a presidente Cristina Kirchner.

O Brasil reclama das tarifas de exportação aplicadas pelo governo argentino sobre o trigo - mais elevadas para os grãos, como meio de forçar a venda de farinha - e ainda pressiona Buenos Aires por maior agilidade na liberação das licenças de importação de produtos dos sócios do Mercosul.

Na lista de reclamações estão ainda: a adoção, pela Argentina, de licenças não-automáticas de importação de fogões, de geladeiras e de máquinas de lavar de origem brasileira; a renovação, no fim de 2007, da salvaguarda que limita as exportações de televisores fabricados na Zona Franca de Manaus e a possível adoção de medida similar para TVs com tela de LCD e de plasma; a aplicação de critérios desatualizados de valoração aduaneira sobre fios e tecidos de algodão brasileiros.

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