Título: Vale-refeição? Depende do valor
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2008, Economia, p. B7

Com os R$ 17,70 que recebe diariamente como vale-refeição, o auxiliar financeiro Bruno Soares desfruta de um benefício pouco comum para o trabalhador brasileiro: variar o cardápio do almoço sem ter medo de levar prejuízo na hora de pagar a conta.

Com um valor considerado alto para os padrões do País, o jovem de 20 anos pode até optar pelos restaurantes que servem a la carte, quando o consumidor desembolsa mais.

Mesmo assim, Soares conta que, para economizar, vai com freqüência a estabelecimentos com serviço de bufê, onde o próprio cliente faz o prato e paga proporcionalmente pelo peso da comida. ¿Dá para comer gastando, no máximo, R$ 15¿, diz. Assim, ele transforma a pequena poupança do dia-a-dia em uma sobra que, acumulada, pode ser usada em outras ocasiões. Em São Paulo, há bares que aceitam o vale-refeição no momento de pagar a cerveja do happy hour, por exemplo.

Já os bancários Fabrício Marques e Luciano Augusto precisam fazer malabarismo para encontrar bons restaurantes que ao mesmo tempo sejam compatíveis com os R$ 14 que recebem por dia para o almoço. Não que o valor do vale-refeição a que têm direito seja dos mais modestos.

Mas na região em que trabalham, segundo eles, próxima à Avenida Paulista, fica difícil encontrar opções variadas para quem quer (ou precisa) gastar pouco e é obrigado a almoçar na rua cinco dias por semana, incluindo a bebida. ¿Tem restaurante aí que cobra R$ 30 por quilo. Não dá para encarar¿, reclama Marques. O cartão de vale-refeição que recebem sempre no dia 25, afirma Augusto, nunca dá para o mês todo.

Somente às sextas-feiras, quando se concedem uma ¿folga¿, os colegas se rendem a alternativas mais sofisticadas. ¿Costumamos ir a uma cantina italiana, um restaurante argentino e um japonês¿, diz Marques.

De segunda a quinta, porém, eles fogem dos preços altos recorrendo ao prato feito, ou ¿PF¿. Também conhecido como prato executivo, o ¿PF¿ é famoso por proporcionar ao consumidor a combinação entre grande quantidade de comida e preços mais baixos, na faixa dos R$ 10.

Essa é a opção feita pelas amigas Jessica Campos, Ingrid Matunaga e Daiane Kelly, todas auxiliares de cobrança de uma agência de assessoria empresarial. Como cada uma dispõe de apenas R$ 7 no bolso, elas dividem o prato feito e as despesas.

Mas, apesar da estratégia usada para pagar menos, há outro problema que as incomoda. ¿Às vezes, a gente fica sem opção. Enjoa comer sempre no mesmo lugar¿, diz Daiane.

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