Título: Comer fora de casa fica até 45% mais caro
Autor: Rehder, Marcelo
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2008, Economia, p. B7

Pesquisa mostra piora nas condições de alimentação do trabalhador

Marcelo Rehder

O brasileiro gastou, em média, até 45,6% mais para comer fora do trabalho em 2007. Levantamento divulgado ontem pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert)mostra que o valor médio da refeição em restaurantes e similares atingiu R$ 16,48 no ano passado na Região Norte, ante R$ 11,32 em 2006. No País como um todo, o preço médio da alimentação passou de R$ 13,32 para R$ 14,87, o que representou uma alta de 11,6%.

¿Sobra mês no fim dos vales e tíquetes-refeição para a maioria dos brasileiros¿, diz Roberto Baungartner, vice-presidente da Assert. ¿Nós estimamos que sobrem de cinco a sete dias, dependendo do valor do vale¿.

A partir daí, segundo ele, o trabalhador reduz a quantidade ou a qualidade da alimentação. Como o valor do tíquete médio está hoje entre R$ 8,00 e R$ 9,00, o trabalhador que recebe auxílio-refeição precisa completar a diferença em relação ao preço médio da refeição (R$ 14,87). ¿A maioria começa o mês com vale-refeição e termina com vale-salgadinho¿.

As empresas que concedem o benefício aos funcionários, atendendo às determinações do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), não são obrigadas a reajustar o valor dos tíquetes. Em setores onde os sindicatos de trabalhadores são mais organizados, o reajuste entra na negociação de contrato coletivo de trabalho, que ocorre uma vez por ano, conforme a data-base de cada categoria profissional.

Coordenada pela TNS InterScience, a pesquisa avaliou os preços de 2.360 restaurantes que servem pratos populares, a la carte e bufês com preço fixo ou por quilo em 22 cidades do País, entre as quais 16 capitais. Para comparar os preços, usou como referência o almoço padrão com prato principal de 500 gramas, bebida não alcoólicas, sobremesa e cafezinho.

Além da Região Norte, os restaurantes e similares do Centro-Oeste também aumentaram os preços acima da média do País, em 24%. Já no Nordeste e no Sudeste, a alta foi de 10%, enquanto no Sul a refeição ficou 2% mais barata em relação ao preço médio de 2006.

O vice-presidente da Assert lembra que a elevação no preço dos alimentos é apontada por todos os institutos de pesquisa como responsável pela alta da inflação no ano passado. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os alimentos subiram 10,8% em 2007 - a maior alta desde 2002. O preço do feijão, por exemplo, aumentou 110%, enquanto a carne ficou 22% mais cara e leite e derivados, 20%.

Por região, o Centro-Oeste apresentou o preço médio mais alto do País, de R$ 19,05. Na Região Norte, o preço médio foi de R$ 16,48 e no Nordeste, de R$ 14,92. As duas regiões com preços médios abaixo da média nacional (R$ 14,87) são o Sudeste, com R$ 14,52, e o Sul, com 12,68.

Em Goiânia, o valor médio de uma refeição era de R$ 21,90, o mais alto do País. Porto Alegre foi a capital com menor valor: R$ 10,05. Já na capital paulista, um almoço custava em média R$ 12,53, enquanto no Rio de Janeiro o preço médio estava em R$ 16,97.

Segundo o vice-presidente da Assert, cerca de 4,5 milhões de trabalhadores são beneficiados com vale ou tíquete-refeição, número que considera baixo, já que o País tem hoje mais de 35 milhões de trabalhadores formais nos setores privado e público.¿Um dos fatores que desestimulam a ampliação do benefício é o valor do incentivo fiscal, que a Receita limitou em R$ 1,99 por refeição¿, diz Baungartner.

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