Título: Só em janeiro, já entraram US$ 4 bi
Autor: NakagawaFernando; Graner, Fabio
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/01/2008, Economia, p. B1

Investimento estrangeiro direto bate recorde, apesar da crise; mas bolsa e renda fixa perderam US$ 1,8 bilhão

A crise internacional ainda não foi suficiente para abortar planos de investimento produtivo no Brasil. Dados preliminares do Banco Central (BC) revelam que entraram US$ 4 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) neste mês, até ontem. Mesmo sendo parcial, já é um valor recorde para o mês.

Mas o País não ficou imune ao nervosismo externo. Neste mês, estrangeiros retiraram US$ 1,8 bilhão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e de aplicações em renda fixa.

¿A despeito da volatilidade externa, os ingressos (de IED) continuam significativos. Os recursos têm entrado pelos fundamentos e pela confiança na economia brasileira. Há saída de recursos de aplicações de mais curto prazo¿, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Para ele, o resultado do IED e o acesso de companhias brasileiras a empréstimos internacionais mostram que a crise não deteriorou a confiança dos estrangeiros no País. Altamir prevê que o mês termine com US$ 4,5 bilhões de IED.

Segundo o economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho, não é surpresa o bom resultado do IED. Ele explicou que o investimento na construção ou ampliação de uma fábrica, por exemplo, é fruto de uma decisão de longo prazo. ¿Esses recursos têm entrado pelas perspectivas da economia brasileira. Eles olham os fundamentos e não o sobe-e-desce das bolsas.¿

Mas outros analistas viram o número com desconfiança. O economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, levantou a hipótese de o IED acumulado em janeiro ter sido distorcido por algum negócio de grande porte.

No caso do US$ 1,8 bilhão que saiu do mercado financeiro, o chefe do BC avaliou que é um movimento normal. ¿Era de se esperar que o investidor de bolsa saísse daqui também¿, disse Altamir. Ele argumentou que a retirada desses recursos é fruto de um movimento global.

A saída de estrangeiros, porém, não ocorre só na bolsa. É o que mostram os dados do fluxo cambial de janeiro, que teve saldo negativo de US$ 1,65 bilhão até dia 24. O chamado fluxo financeiro, que registra operações em bolsa, títulos, IED, empréstimos e remessas de lucros, entre outros, teve saída líquida de US$ 4,844 bilhões. Apesar disso, Altamir diz que ainda não foi acesa a luz amarela.

O professor da USP Fabio Kanczuk observou que houve certo pânico inicial com a piora do noticiário internacional, mas não demonstra preocupação. Ele aponta a expectativa de novo corte do juro nos Estados Unidos como a principal notícia positiva.

¿A redução do juro americano faz com que os estrangeiros tenham mais ganho no Brasil. Isso aumenta a atratividade do País.¿

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