Título: Bradesco tem lucro de R$ 8 bilhões
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/01/2008, Economia, p. B4
Resultado líquido cresceu 58% em 2007 e atingiu o maior valor em 20 anos em todo o setor bancário
O lucro líquido do Bradesco cresceu 58% em 2007 e atingiu a extraordinária cifra de R$ 8 bilhões. Trata-se do maior resultado do setor bancário em 20 anos e o 10º maior entre todas as empresas de capital aberto no Brasil, segundo levantamento elaborado pela empresa de informações financeiras Economática.
Para o presidente do banco, Márcio Cypriano, o grande propulsor do resultado foi o avanço da economia brasileira, que teve reflexos importantes no crédito. Além disso, o lucro embutiu ganhos extraordinários, como a venda de títulos da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e das participações na Serasa, Arcelor e Indiana. Por outro lado, o banco fez algumas amortizações, que reduziram o lucro do ano, em R$ 953 milhões.
Excluindo os fatores citados, o ganho do banco no ano passado ficou em R$ 7,2 bilhões. A rentabilidade subiu de 24,7% para 31,4%. Já o índice de eficiência atingiu 41,8% ante 42,1% em 2006. Nesse caso, quanto menor o indicador, maior é a eficiência da instituição.
No ano, os ativos totais da instituição somaram R$ 341,18 bilhões e o patrimônio líquido, R$ 30,36 bilhões. Segundo o vice-presidente do banco, Milton Vargas, os números subiram por causa do avanço no valor dos títulos e valores mobiliários e da carteira de crédito, que fechou o ano em R$ 161,41 bilhões.
Os empréstimos da instituição subiram 38,9%, ¿acima da média do mercado¿, afirmou Cypriano. O maior crescimento foi verificado no segmento de micro, pequenas e médias empresas, cujo volume saltou 46,7%. ¿Esse é o resultado de muitos projetos desengavetados e novos investimentos¿, destaca o presidente do Bradesco.
As operações feitas pelas grandes empresas também tiveram avanço significativo no ano, de 38,2%. Já os financiamentos feitos por pessoas físicas cresceram 34,2%, com destaque para veículos (30,3%), cartão de crédito (47,2%) e crédito consignado (59,1%). Mesmo com o avanço da carteira, o índice de inadimplência, com atrasos superiores a 90 dias, recuou em relação a dezembro de 2006. Caiu de 3,6% para 3,3%.
Para Cypriano, apesar da crise internacional, que pode respingar no Brasil e afetar o Produto Interno Bruto (PIB) em 1 ponto porcentual, o volume de crédito deve manter trajetória crescente. A expectativa é de que os empréstimos tenham expansão entre 21% e 25%. ¿Estamos num crescimento importante da economia nacional. Não imaginamos que vamos sair tão arranhados dessa turbulência¿, avaliou o executivo.
Exemplo do otimismo é que a instituição destinou R$ 5,3 bilhões para o crédito imobiliário neste ano. A decisão considerou a forte demanda pelo financiamento no decorrer de 2007. ¿Inicialmente destinamos R$ 3 bilhões para o segmento. Mas a procura superou todas as expectativas e terminou 2007 com R$ 4 bilhões emprestados¿, destaca Cypriano. Segundo ele, o Bradesco se tornou o maior banco privado na concessão de crédito imobiliário. ¿Dados de associações do setor apontam para uma participação do Bradesco de 22% do mercado de crédito imobiliário.¿
INVESTMENT GRADE
Na avaliação do executivo, o País terminará 2008 com a participação do crédito em 40% do PIB. Em 2007, esse número ficou em 34,5%. Cypriano avalia que o Banco Central (BC) vai manter a vigilância rigorosa sobre os índices de inflação e não deve mexer nos juros durante todo este ano. O ciclo de afrouxamento monetário, prevê, somente deverá ser retomado em 2009.
Apesar de todas as adversidades, tanto no mercado doméstico quanto no ambiente externo, a expectativa em relação ao investment grade (grau de investimento) permanece inalterada. ¿Nossa equipe econômica espera que a classificação de risco seja concedida ainda neste semestre. Se isso não ocorrer, até o fim do ano, ela virá. Pelo menos, uma das três agências internacionais de rating deve dar upgrade ao País em 2008.¿
Durante a apresentação dos resultados do ano passado, Cypriano também confirmou a negociação para a compra da corretora Ágora e disse que a transação pode ser finalizada ainda no primeiro trimestre.
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