Título: Cenário ainda não convenceu banco a elevar taxa Selic
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/01/2008, Economia, p. B1

Uma alta da Selic nos próximos meses ou em qualquer momento em 2008 ainda está longe de ser uma certeza no Banco Central. Apesar da alta da inflação nos últimos meses, do comunicado mais conservador que acompanhou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada e das apostas de aperto monetário de uma parcela considerável dos analistas, as autoridades monetárias ainda estão aguardando mais dados para saber se um ciclo de alta dos juros terá mesmo de ser engrenado.

Algumas premissas sustentam essa situação. Uma delas, talvez a principal, é que começam a surgir sinais de desaceleração do consumo. Além disso, a combinação de crescimento menor neste ano em relação a 2007 e manutenção de um ritmo forte de investimentos poderá aliviar a pressão sobre a capacidade de produção.

Há também a visão de que uma desaceleração econômica nos EUA poderá ter um impacto inflacionário benigno no Brasil e em outros países da América Latina, como observaram ontem os analistas do banco Barclays Capital. A expectativa é que o risco de recessão nos EUA e a turbulência nos mercados devem também ter impacto negativo sobre o consumidor brasileiro, cujo nível de endividamento está muito elevado.

O BC vem acenando com medidas ¿prudenciais¿ para diminuir a médio e longo prazos os riscos do sistema financeiro brasileiro a crises semelhantes à dos EUA. Essas medidas, embora com o objetivo de reduzir o risco bancário, poderiam também frear a oferta do crédito, ajudando a esfriar na margem o consumo.

Por fim, como observou um analista de um grande banco de investimentos, caso não eleve os juros em meio a essa turbulência global, o presidente do BC, Henrique Meirelles, adicionaria outra estrela a seu currículo: ¿Tenho certeza de que o Meirelles gostaria de entregar ao Lula o feito de ter sido o primeiro comandante do BC na história recente do País a não ter de elevar os juros numa crise internacional¿, disse a fonte.