Título: Vale vai investir US$ 6 bilhões na Colômbia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 31/01/2008, Negocios, p. B16

Segundo presidente colombiano, grupo quer erguer no país uma usina de alumina, uma hidrelétrica e um porto

A Vale pretende investir cerca de US$ 6 bilhões na Colômbia, na construção de uma usina hidrelétrica, de uma unidade de alumina - principal matéria-prima do alumínio - e em um porto, afirmou ontem o presidente colombiano, Alvaro Uribe.

O presidente disse, em um ato oficial, ter se reunido na terça-feira com executivos da Vale que manifestaram o interesse da empresa na Colômbia, frente a um cenário de maior confiança dos investidores, avanços em segurança e reformas estatais que facilitariam o campo de ação das empresas privadas.

A conversa com a Vale contou com o apoio do presidente Lula, disse Uribe. Segundo o presidente colombiano, a intenção da Vale é construir uma usina com capacidade de geração de 1,5 mil megawatts (MW), o que pode significar um investimento de US$ 2,3 bilhões a US$ 2,4 bilhões.

¿Querem instalar uma unidade de alumina, para gerar empregos muito importantes em número e qualidade, que vale US$ 3,5 bilhões, e querem instalar o porto de apoio¿, completou o presidente.

A Colômbia registrou investimentos estrangeiros diretos líquidos de US$ 7,5 bilhões em 2007, a maioria para os setores de petróleo e mineração.

O ministro de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Luis Guillermo Plata, explicou que a geradora de energia alimentaria a operação da unidade de alumina.

Os contatos entre os diretores da Vale e Uribe começaram em novembro, no Chile, e continuaram até a reunião na sede presidencial em Bogotá, de acordo com Plata. Procurada, a Vale informou que não iria comentar o assunto.

A informação de um eventual investimento na Colômbia ocorre em um momento de definição para a Vale. A mineradora brasileira está no meio de uma operação para a compra da anglo-suíça Xstrata, um investimento estimado entre US$ 80 bilhões e US$ 90 bilhões. Apesar de ter recebido o aval do conselho de administração para negociar a compra, a empresa estaria encontrando resistência de pelo menos uma parte do governo, que teme uma ¿desnacionalização¿ da mineradora.

Apesar de acionista minoritário da Vale, o governo federal tem poder de veto sobre determinadas operações da empresa - poder garantido por ações especiais, as ¿golden shares¿, negociadas à época da privatização da companhia.

Além disso, o governo tem ainda uma participação indireta importante no bloco de controle da Vale, por meio da Previ, fundo de pensão dos funcionários do estatal Banco do Brasil. A Previ, juntamente com a Bradespar (braço de participações em empresas do Bradesco), tem 53% da Valepar, a controladora da Vale.

RISCO DE APAGÃO

No ano passado, o presidente da Vale, Roger Agnelli, já falava da possibilidade de investir em produção de alumínio em outros países, por causa dos problemas com fornecimento de energia no Brasil. ¿A oferta de energia elétrica é um ponto crítico e está limitando nossos investimentos na área de alumínio no País¿, disse Agnelli em outubro.

Em maio, em um tom mais crítico, o executivo havia dito que a possibilidade de faltar energia estava levando a empresa a rever seus investimentos no País, especialmente nas áreas de alumínio, cobre e níquel. À época, Agnelli afirmou que o País precisava debater a matriz energética considerando uma visão de médio e longo prazos. ¿O fato é o seguinte: o País precisa ter mais geração de energia, seja nuclear, térmica, a gás, carvão, hídrica, o que for. Mas precisa ter mais energia¿, disse.

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