Título: Não tenho tempo a perder com CPI, afirma Lula
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/02/2008, Nacional, p. A6

Para ele, tarefa do Congresso é legislar e investigar, enquanto governo `existe para trabalhar¿

Clarissa Oliveira, VITÓRIA, e Alexandre Rodrigues, CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Em meio aos preparativos para a instalação da comissão parlamentar que vai investigar o uso dos cartões corporativos do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não tem tempo a perder com CPIs. Lula, que passou o dia em eventos no Espírito Santo, disse deixar para o Legislativo a tarefa de conduzir essa investigação. Enquanto isso, segundo ele, seu papel será viajar pelo Brasil e garantir que se torne uma economia global.

¿Eu confesso a vocês que não tenho tempo a perder com CPI¿, disse, depois de visitar de manhã o gasoduto Cabiúnas-Vitória, no município de Serra, região metropolitana de Vitória. Lula afirmou ser adepto da tese de que o Congresso tem a tarefa de legislar, investigar e fazer CPIs e o governo ¿existe para trabalhar¿.

¿Enquanto as pessoas discutem lá em Brasília, enquanto as pessoas fazem investigação, fazem CPI, meu papel vai ser viajar pelo Brasil. Porque o que eu quero é que o povo possa conquistar, com crescimento e desenvolvimento, a cidadania que há séculos a gente está reivindicando.¿ Lula disse não querer ¿perder a oportunidade¿ de aproveitar o ¿momento bom e extraordinário¿ que o País vive. Mas ressaltou que o governo vai ¿fazer tudo o que for possível¿ para contribuir com a CPI.

Mais tarde, ao falar de novo do assunto, foi mais comedido. Voltou a defender os cartões como instrumento de transparência e emendou: ¿Acho que a CPI vai prestar um serviço à Nação, porque vai aprimorar - piorar jamais -, vai aperfeiçoar o sistema de gasto do governo.¿

Questionado sobre a notícia de que o Planalto estaria elaborando um dossiê com informações sobre gastos do atual governo e da gestão de Fernando Henrique Cardoso, Lula negou. ¿Isso não procede.¿

Em Brasília, líderes da oposição reagiram com críticas à notícia sobre o dossiê. ¿Se o governo tem dados que revelam que agentes políticos do governo Fernando Henrique desviaram dinheiro público que revele¿, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do pedido de CPI. ¿Tem dinheiro público, não tem partido. Desviou dinheiro público, tem de repor e responder criminalmente.¿

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), o governo tenta ¿produzir denúncias que nunca foram feitas¿. ¿É a prática desse governo: em um primeiro momento diz que não sabia de nada. Depois começam a vazar informações¿, criticou.

¿É um despropósito esse dossiê¿, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para ele, é ¿uma tentativa de retornar ao passado na esperança de misturar tudo que é do presente¿.

Ex-presidente da CPI dos Correios, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse que o governo ¿faz muito bem¿ em coletar informações sobre gastos da gestão FHC. ¿Todas as partes, naturalmente, se preparam para o embate político que surgirá¿, afirmou.

Em Vitória, Lula não falou diretamente sobre a pesquisa CNT/Sensus, em que ele teve aprovação de 66,8% e seu governo, de 52,7%. Mas não escondeu o entusiasmo. Em solenidade no Palácio Anchieta para anunciar investimentos em obras, mandou um recado: disse que sua chegada à Presidência é um ¿sinal de alerta a qualquer cidadão¿, pois, até então, o posto era reservado à elite.

Depois de almoçar com o governador Paulo Hartung (PMDB), Lula evitou associar seu entusiasmo à pesquisa. ¿Eu estou animado porque as coisas estão indo bem no Brasil.¿

EDUCAÇÃO

Lula disse que espera entregar o Brasil, em 2010, entre as nações que mais investem em educação no mundo. A promessa foi feita ao inaugurar uma unidade do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet) em Cachoeiro do Itapemirim, a 130 quilômetros de Vitória.

Lula disse querer passar à história como o presidente que mais investiu em educação e afirmou que a expansão do ensino médio técnico, retomada em seu governo, será importante para consolidar o desenvolvimento econômico no País. COLABORARAM EUGÊNIA LOPES e VERA ROSA

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