Título: Ato contra caseiro no caso Pallocci mereceu críticas
Autor: Filgueiras, Sônia
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/03/2008, Metrópole, p. C1
As ações do Coaf também já mereceram críticas. De fora do governo, as mais severas vieram em março de 2006, quando, provocado por uma comunicação da Caixa Econômica Federal, o Coaf determinou à PF a abertura de investigação contra o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, por causa de supostas movimentações atípicas.
Naquele momento, Nildo revelava a presença do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) em reuniões suspeitas em Brasília, numa casa alugada pela chamada ¿República de Ribeirão Preto¿. Ao fim das investigações, o conselho foi excluído pelo Ministério Público da lista dos envolvidos na quebra do sigilo bancário de Nildo. O MP responsabilizou o ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso, Palocci e seu ex-assessor de Imprensa Marcelo Netto.
Mas o Coaf também já enfrentou críticas internas quando produziu provas contra integrantes do governo ao remeter um relatório ao Ministério Público no qual relacionou, com data, valor e beneficiário, 110 saques em espécie de R$ 250 mil em média, realizados nas contas das empresas do publicitário Marcos Valério no Banco Rural. O documento confirmou as denúncias feitas por Roberto Jefferson sobre o esquema do mensalão.
Por conta desse poderoso banco de dados, o conselho, hoje alojado no Ministério da Fazenda, é disputado dentro da administração pública. O ministro da Justiça, Tarso Genro, por exemplo, chegou a tentar transferi-lo para seu organograma, com o objetivo de fortalecer a pasta. Acabou recuando, diante da resistência do colega da Fazenda, o ministro Guido Mantega. Mas a importância de seus dados é desproporcional ao tamanho de seus quadros: conta com apenas 42 funcionários, dos quais dez são ¿emprestados¿ do Bando do Brasil e da Caixa.
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