Título: Colômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às Farc
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Fonte: O Estado de São Paulo, 04/03/2008, Internacional, p. A11
Documentos extraídos do laptop de líder guerrilheiro morto indicam ainda ligações do grupo com presidente equatoriano
O chefe de polícia da Colômbia, general Oscar Naranjo, disse ontem que documentos encontrados no computador de Raúl Reyes, número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morto no sábado em território equatoriano, indicam que a Venezuela pagou recentemente US$ 300 milhões ao grupo guerrilheiro colombiano, talvez em troca da libertação de seis reféns. O dinheiro foi mencionado em uma mensagem de 14 de fevereiro no laptop de Reyes.
As declarações foram feitas um dia após o Equador acusar a Colômbia de violar sua soberania, bombardeando e invadindo seu território para resgatar o cadáver de Reyes e de outros 16 rebeldes. O incidente enfureceu o Equador e a Venezuela, que enviaram tropas à fronteira com a Colômbia. O Equador retirou seu embaixador em Bogotá, expulsou o representante diplomático da Colômbia e cortou relações com o país vizinho. No domingo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, prometeu que a Venezuela responderá militarmente se a Colômbia violar suas fronteiras.
A entrevista coletiva de Naranjo elevou ainda mais a tensão política na região causada pela operação militar que resultou na morte de Reyes. Segundo ele, outros documentos também sugerem que o presidente equatoriano, Rafael Correa, tem profundas ligações com as Farc - uma acusação que o Equador nega (leia na página 12). Ele divulgou os fax de duas cartas nas quais Reyes fala a outros membros da cúpula das Farc sobre as reuniões que manteve com o ministro equatoriano de Segurança, Gustavo Larrea, em nome do presidente Correa.
As cartas são de 18 de janeiro e 28 de fevereiro, um dia antes de Reyes ser morto. No primeiro texto, Larrea envia saudações de Correa a Manuel Marulanda, líder das Farc, e manifesta ¿o interesse do presidente de oficializar as relações¿ com a direção da guerrilha. Na segunda carta, Reyes diz ter conversado com Larrea sobre a troca de reféns, a situação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e o papel de Chávez na libertação dos seqüestrados. Larrea confirmou o encontro, para tratar da situação dos reféns.
Outros documentos mostram que os rebeldes tinham interesse em comprar urânio, disse Naranjo. ¿Quando eles mencionam negociações para 50 quilos de urânio, isso significa que as Farc estavam dando grandes passos no terrorismo mundial para tornar-se um agressor global. Não estamos falando de guerrilha doméstica, mas terrorismo transnacional¿, disse, sem dar mais detalhes, em sintonia com a retórica de Washington sobre o combate ao terrorismo. A Colômbia é o principal aliado na América Latina dos EUA, que fornecem anualmente US$ 700 milhões a Bogotá, entre ajuda militar e cooperação para programas sociais.
Outro arquivo do computador de Reyes sugere que os rebeldes têm ligações financeiras com Chávez desde 1992. Na ocasião, Chávez estava preso por liderar uma tentativa de golpe. ¿Numa mensagem, Reyes fala sobre como Chávez ficou grato pelos 100 milhões de pesos (US$ 150 mil na época) entregues a ele quando estava na prisão¿, disse Naranjo. Em outra correspondência, Chávez aparentemente se comprometia a entregar fuzis usados às Farc.
O governo colombiano pedirá à Organização do Estados Americanos (OEA), que se reúne hoje em sessão de emergência em Washington, que investigue o envio do dinheiro e de armas às Farc.
ACUSAÇÕES COLOMBIANAS
Venezuela - O general colombiano Oscar Naranjo acusa o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de ter entregado recentemente US$ 300 milhões às Farc e enviado fuzis usados à guerrilha esquerdista. Diz que, segundo informações no computador de Raúl Reyes, a guerrilha enviou US$ 150 mil a Chávez quando ele estava preso, após a fracassada tentativa de golpe de 1992
Equador - A Colômbia acusa o govenro do presidente equatoriano, Rafael Correa, de ter profundas ligações com as Farc
Nicarágua - Bogotá diz que há menção, que não especifica, sobre o presidente Daniel Ortega no computador de Reyes