Título: Lula diz que não teme CPI dos Cartões
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/02/2008, Nacional, p. A6

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na Estação Comandante Ferraz, a base brasileira na Antártida, que a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar o uso dos cartões corporativos 'não incomoda'. Na avaliação de Lula, o cartão corporativo 'é a coisa mais decente já criada, ainda no governo anterior'.

'Eu não sou deputado, não estou no Congresso. A CPI deve ter como objetivo detectar o que acontece de errado e apresentar sugestões que possam aperfeiçoar as contas públicas brasileiras', afirmou o presidente. 'Certamente, se a gente for analisar, no Brasil como um todo, deve haver muitos lugares onde as contas não têm a qualidade da prestação que possuem as contas do governo federal. Queremos aprimorar o Portal da Transparência, aprimorar o cartão, para que todo mundo saiba o que acontece, todo o santo dia, com os gastos públicos.'

Lula lembrou que, na campanha eleitoral de 2006, afirmou num debate com o candidato tucano Geraldo Alckmin que 'a única coisa boa que o governo passado criou foi o cartão corporativo'. Para Lula, o cartão corporativo permite que a imprensa e os cidadãos, de casa, tenham acesso às informações sobre gastos no Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br), disponibilizada pela Controladoria-Geral da União (CGU).

'É uma informação que estamos prestando à sociedade e eu fico agradecido quando a imprensa vai atrás; procure, encontre e publique, porque a gente vai consertando', observou Lula. Ele defendeu ainda o uso dos cartões corporativos. 'A idéia de que os cartões são prejudiciais é, no mínimo, ignorância de quem fala. Porque os cartões são a coisa mais moderna que existe. Uma coisa fantástica.'

Em Brasília, o clima era outro. Em represália à decisão do governo de ficar com os postos de comando da CPI Mista dos Cartões, os partidos de oposição anunciaram a intenção de protocolar, amanhã, requerimento para a criação de um comissão formada exclusivamente por senadores. Uma reunião entre os líderes de oposição, amanhã cedo, vai definir se o requerimento da CPI do Senado será apresentado antes do pedido de criação de CPI Mista, previsto para ser lido no Congresso na quarta-feira.

'Vamos pressionar para ter um dos postos de comando da CPI mista . Se o governo não concordar, colhemos assinaturas para uma CPI só do Senado em uma hora, impedindo a instalação da comissão mista', afirmou ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). São necessária 27 assinaturas, e DEM e PSDB juntos têm 28 senadores. 'É o último apelo que vamos fazer ao governo para ficarmos com a presidência ou a relatoria da CPI', avisou. 'A reunião vai definir se devemos desistir do diálogo com o governo', observou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Os governistas estão divididos quanto ao assunto. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), é favorável à negociação, mas parte do PMDB e do PT são contra. 'Não acho que o governo vai ceder', calcula o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES). COLABOROU EUGÊNIA LOPES

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