Título: EUA fazem novas exigências e complicam acordo na OMC
Autor: Salvador, Fabíola
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/03/2008, Economia, p. B5

Washington quer que emergentes abram setores que não estão dispostos a abrir antes do acordo agrícola

O governo dos Estados Unidos enviou uma carta ao Itamaraty cobrando do Brasil a abertura dos setores de telecomunicações, energia, bancos, seguros e outros segmentos de serviços como condição para um acordo de liberalização do setor agrícola na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A carta, assinada pela representante de Comércio, Susan Schwab, exige do Brasil sinais claros do que estaria disposto a abrir se ainda quer esperar algum resultado positivo para produtos agrícolas. Os americanos querem que restrições a investimentos sejam abolidos e empresas estrangeiras de serviços possam atuar sem qualquer limite que ameace seus investimentos.

Países como Argentina, África do Sul, Índia e China também receberam a carta. ¿Fiquei surpreendido com o tom da carta¿, confessou o embaixador da Argentina na OMC, Alberto Dumont. O chanceler argentino, Jorge Taiana, confirmou ontem seu desagrado com as negociações. ¿Há muitas exigências da parte dos países ricos e pouca oferta¿, disse.

A carta de Schwab significa mais um obstáculo no caminho do acordo na OMC. O processo está paralisado em razão do desentendimento entre países ricos e emergentes em torno da abertura dos mercados para bens industriais. Brasil, Argentina e outros países emergentes alegam que americanos e europeus exigem uma abertura que poderá afetar suas indústrias de forma perigosa, até produzindo desemprego.

A abertura do setor de serviços está prevista para ser negociada. Mas a carta enviada nos últimos dias ao Itamaraty deixa claro que, além de ter de aceitar a abertura de seu mercado de bens industriais, o Brasil também teria de acatar uma liberalização no setor de serviços.

Não por acaso, as chances de que uma reunião ministerial possa fechar parcialmente um acordo até abril estão se desfazendo em Genebra, sede da OMC. A idéia era convocar os ministros nos próximos dois meses para tentar chegar a um entendimento sobre as fórmulas que regulamentariam o ritmo da liberalização.