Título: É óbvio que existem falhas no mecanismo
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/02/2008, Nacional, p. A6

Relator da auditoria dos cartões, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo reconhece que é preciso haver ¿aperfeiçoamento nos procedimentos de fiscalização em vigor do governo¿. ¿É óbvio que existem falhas nos mecanismos¿, diz. Ele fixou o dia 7 de março para concluir o planejamento da auditoria, que incluirá a análise de casos como o da ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, que pediu demissão do cargo depois de ter gasto R$ 171,5 mil em 2007.

O senhor será o relator da auditoria que o Tribunal de Contas da União fará sobre o uso dos cartões corporativos do governo. Como será esse trabalho? Fixei o prazo de 7 de março para que seja concluído o planejamento que vai guiar o trabalho dessa auditoria. Pedi a ministros do TCU, a auditores do Ministério Público, que me enviem sugestões e informações sobre o assunto porque será uma auditoria muito complexa. E queremos que dela saiam aperfeiçoamentos dos procedimentos de fiscalização em vigor, porque a missão do Tribunal de Contas da União, antes de punir ou multar, é a de orientar, de educar.

Existe falta de controle no uso dos cartões corporativos?

É óbvio que existem falhas nos mecanismos. E isso já ficou claro até mesmo pelas reportagens que foram publicadas na imprensa sobre o uso dos cartões corporativos. E certamente muitos desses casos serão alvo da auditoria dos cartões.

O senhor pretende propor mudanças nesses mecanismos?

É preciso que seja feito um aperfeiçoamento dos procedimentos de controle em vigor. Porque realmente existem falhas. Nos contatos que tenho feito com a equipe encarregada de avaliação, deixei claro que minha preocupação é que se consiga uma melhora nesses procedimentos de fiscalização dos recursos do erário antes de se procurar buscar uma punição.

Qual avaliação o senhor faz sobre o uso do cartão corporativo da ex-ministra Matilde Ribeiro?

Eu não posso tecer comentários específicos agora porque ainda estamos iniciando o trabalho. E, como serei o relator, prefiro não fazer qualquer juízo de valor antes de a auditoria ser iniciada. No momento, estou colhendo dados, me aprofundando no assunto. Mas ainda não posso fazer comentários que entrem na área específica de cada caso. MARCELO DE MORAES

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