Título: Jucá acena com posto em CPI para oposição
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/02/2008, Nacional, p. A6

Líder fará última tentativa para convencer base, pois teme que eventual represália do PSDB e DEM atrapalhe a votação da reforma tributária

Com receio de reflexos na tramitação da reforma tributária, que deverá ser enviada pelo governo para o Congresso na quinta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), vai fazer uma última tentativa para que o comando da CPI mista que vai investigar o uso dos cartões corporativos seja dividido com um senador oposicionista. Jucá teme que a oposição, em represália à insistência dos governistas em ficar com a presidência e a relatoria da comissão, atrapalhe e atrase a aprovação da reforma.

¿Não vale a pena acirrar os ânimos porque vamos ter a reforma tributária. E qualquer briga atrapalha o andamento das coisas¿, afirmou ontem Jucá. Na terça-feira pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reúne-se com os presidentes e líderes dos partidos de oposição para apresentar detalhadamente as propostas que compõem a reforma tributária. Com esse gesto, o governo pretende ganhar a adesão da oposição ao projeto.

¿Nós não podemos nos furtar de discutir reforma tributária. Mas o clima não é bom se desrespeitarem a gente¿, observou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). ¿Agora não acredito que o governo queira realmente fazer uma reforma tributária em ano eleitoral. Mais uma vez vão jogar na conta do Congresso o desgaste¿, completou o tucano.

Para o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), o governo tem de decidir se está disposto a um entendimento com a oposição em relação à CPI dos Cartões. ¿O governo tem de escolher qual caminho quer: do diálogo ou do enfrentamento. Agora, o governo não pode querer o enfrentamento na CPI e o entendimento na reforma tributária¿, disse Maia.

Antes da reunião da oposição com Mantega, Jucá vai reunir-se com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para apresentar a posição de cada líder da base aliada em relação ao comando da CPI. ¿Não sou mais uma voz isolada. Alguns líderes da base da Câmara e do Senado defendem o entendimento com a oposição¿, afirmou o líder do governo.

A aliados, Jucá confidenciou que apenas o PT ainda resiste a ceder a presidência a um senador de oposição. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), já deu sinal de que o partido concorda em abrir mão da presidência da comissão.

¿Não tem por que abrirmos mão do comando da CPI. A oposição está querendo isso sem razão¿, argumentou o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP). ¿O compartilhamento do comando da CPI vai depender do clima no Senado¿, disse a líder do PT na Casa, Ideli Salvatti (SC). ¿Vão ter de dar explicações à opinião pública se não deixarem a reforma tributária andar¿, completou. Ideli afirmou ainda que os partidos de oposição têm de ¿responder se querem transformar o Congresso em delegacia permanente¿.

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), marcou para terça-feira à tarde a leitura do requerimento da CPI integrada apenas por senadores que também vai investigar os cartões corporativos. A oposição apresentou um pedido de criação de CPI exclusiva do Senado em represália às ameaças do governo de não compartilhar o comando da comissão de inquérito mista. ¿Duas CPIs são uma redundância desnecessária. Temos de construir um entendimento com a oposição¿, disse Jucá.

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